A expansão imobiliária de São Paulo tem cada vez mais levado as grandes fábricas a migrarem para o interior – mas as pequenas indústrias ainda resistem.
São negócios por vezes imperceptíveis para quem passa na rua – ocupados por ramos como confecções, marmorarias e marcenarias – e que têm gerado uma procura por galpões antigos que supera inclusive a demanda de centros de distribuição de menor porte.
Segundo a SuaQuadra, uma plataforma de locação de pontos comerciais, a indústria representou 29% dos contratos de galpões em sua base nos últimos 12 meses, contra 15% para logística e distribuição e 14% para ecommerce e marketplaces.
No total, as locações de galpões pela plataforma somaram 188 mil m² em São Paulo no período.
A maior parte dessas indústrias de menor porte busca bairros densamente habitados, como Jardim São Luiz, Cidade Líder e Casa Verde, onde vivem os pequenos empresários.
“O galpão é usado como um imóvel barato com pé direito alto. Se comparar o custo por m² dele versus uma loja ou casa, é muito mais baixo,” disse Pedro Donato, CEO e fundador da SuaQuadra.
A maioria das locações de galpões têm entre 150 m² e 1 mil m², em especial aqueles de até 300 m², que respondem por 62% dos contratos.
A plataforma diz que os imóveis de menor porte têm maior liquidez, por atrair negócios que estão começando.
“Quando você está abrindo o seu negócio, geralmente vai para imóveis mais baratos.”
Já entre os players de logística e ecommerce, a procura é maior em bairros como Itaim Bibi e Pinheiros. Em geral servem a operações last mile para pequenas lojas online ou vendedores que anunciam nas plataformas de marketplace.
“Eles precisam armazenar essa mercadoria em algum lugar, então em vez de mandar para um centro do Mercado Livre ou da Shopee, por exemplo, fazem seu próprio fullfilment para distribuir dentro da cidade,” disse Bruno Bartholi, que é cofundador da SuaQuadra.
Além dos pequenos galpões, outra alternativa para os empreendedores são empresas de armazenagem como a Goodstorage.
Segundo a consultoria Binswanger, o modelo de negócio dessas companhias evoluiu para além do self storage e do mercado B2C.
“Hoje o modelo já é muito mais B2B e os complexos conseguem abarcar também pequenas empresas, como mecânica de luxo ou distribuidoras de peças, de bebidas e material hospitalar,” disse Simone Santos, sócia-diretora da Binswanger.




