A onda de estúdios chegou até o Morumbi

A onda de estúdios chegou até o Morumbi
Rafael Balago |

O avanço dos apartamentos compactos ganha força em um bairro conhecido por suas mansões. No Morumbi, os lançamentos menores estão em alta, em um momento em que a região se prepara para uma série de transformações. 

De janeiro a julho deste ano, foram lançadas 300 unidades de estúdios de até 25 m² na região do Morumbi e mais 104 apartamentos de 26 a 40 m², segundo dados da Brain.

Nos dois anos anteriores, nenhuma unidade com menos de 25 m² foi lançada no bairro, mas houve avanço nos compactos na faixa de 26 a 40 m². Em 2024, 694 apartamentos nessa categoria entraram no mercado. Em 2025, foram 292.

Os apartamentos menores se concentram perto da Marginal Pinheiros e da estação São Paulo-Morumbi, favorecidos pelas leis que autorizam prédios mais altos ao lado de eixos de transporte.

O acesso fácil ao trabalho e a serviços é um dos principais atrativos para quem pensa em morar no bairro, mesmo que em apartamentos pequenos. 

“A região do Morumbi continua valorizada. Tem muitos empregos, hospitais, acesso à saúde e está perto dos escritórios da Vila Olímpia,” Guilherme Dalcin, o cientista de dados do Instituto Cidades Responsivas, disse ao Metro Quadrado.

Ele afirma que os juros altos empurram os compradores aos compactos, já que há mais dificuldade para financiar apartamentos de médio padrão. Além disso, há uma demanda de investidores que buscam estúdios para short stay.

O avanço dos estúdios no Morumbi ocorre em meio a várias transformações no bairro. Uma das principais é a expansão do Hospital Albert Einstein, que construiu novas unidades, incluindo um centro de pesquisa, e hoje ocupa 263 mil m² de área construída. Há 20 anos, eram 86 mil m². 

“O Morumbi deverá se estabelecer como um centro de serviços de alta qualidade, muito puxado pelo complexo do Einstein,” Valter Caldana, o professor de urbanismo do Mackenzie, disse ao Metro Quadrado.

Caldana aponta que o estádio Morumbis passou a receber muito mais jogos e shows nos últimos anos, o que mudou a dinâmica local, bem como a abertura da estação São Paulo-Morumbi, em 2018. 

A chegada do metrô e as mudanças do Plano Diretor permitiram o aumento da verticalização nas bordas do bairro, enquanto o zoneamento ainda limita boa parte dos terrenos ao modelo unifamiliar.

“O mercado destaca o Morumbi como um bairro de baixa densidade, mas usa isso pra vender apartamento,” diz Caldana. 

Para os próximos anos, há mais mudanças previstas. O Bandeirantes deve deixar de ser a sede do governo estadual, que se mudará para o centro, e o destino do palácio é incerto.

Além disso, há planos de levar a linha 17-Ouro de monotrilho até o bairro e realizar uma série de outras obras, como parte do Programa Nova Paraisópolis. 

A Prefeitura lançou, em agosto, um edital que prevê R$ 2,3 bilhões em obras e melhorias, incluindo o prolongamento da Avenida Hebe Camargo, para criar uma ligação direta entre Paraisópolis e a estação São Paulo-Morumbi. 

Essa via deve se tornar um novo eixo de transporte, e seu canteiro central terá espaço reservado para receber as vigas do monotrilho.

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