Já havia uma tendência de diminuição dos lançamentos entre as incorporadoras em razão do boom de oferta visto nos últimos anos, mas o cenário político deve aprofundar esse processo.
As empresas têm dito em calls com analistas que 2027 deve ser um ano com menos projetos, a não ser que haja uma mudança de rota na política econômica do presidente Lula para o seu quarto mandato.
A Eztec, por exemplo, afirma que a redução será “grande ou muito grande” no ano que vem, e já há projetos cancelados que estavam previstos para a reta final de 2026.

“Vamos ficar na parte de baixo do guidance deste ano não por falta de capacidade, mas porque precisamos nos concentrar naquilo que estamos fazendo agora,” o CEO Silvio Zarzur disse em uma call nesta sexta.
A incorporadora projetava um VGV de R$ 2,5 bilhões e R$ 3,5 bilhões neste ano e se aproxima da banda inferior, acumulando R$ 2,4 bilhões em lançamentos até o terceiro tri.
Outra que já manifestou cautela com 2027 foi a Moura Dubeux. A companhia não cravou se vai reduzir ou não os lançamentos, mas também observa o cenário com preocupação.
“No Nordeste, apesar do voto consistente para a esquerda, nossos clientes são basicamente a direita, o que postergou a tomada de decisão de compra,” o CEO Diego Villar disse em call, também hoje.
Apesar disso, a incorporadora conseguiu entregar resultados consistentes no terceiro tri – em linha com as expectativas dos analistas.

Mas espera que o próximo ano seja o mais desafiador para a empresa desde a abertura de capital, em 2020.
“Estamos tomando decisões que envolvem proteção de caixa e mitigação de risco,” disse Villar, que citou medidas como a suspensão de compra de novos terrenos em dinheiro e o foco em projetos com baixíssimo consumo de caixa e VSO forte.
O CEO da Moura Dubeux evitou dar guidance de lançamento e caixa antes da definição da equipe econômica e das políticas adotadas pelo governo, mas indicou que a empresa está preparada para atravessar o pior cenário.
“Não vamos ter a menor cerimônia de revisitar o plano de negócio,” disse Villar. “É melhor se preparar para ter a surpresa, caso venha um cenário muito melhor, do que ser pego acelerando num possível ambiente de recessão.”




