A ação da Tenda está desabando nesta quinta-feira após o balanço da companhia confirmar os temores de que as restrições no crédito imobiliário afetaram o resultado da incorporadora.
O lucro líquido consolidado da companhia ficou em R$ 106,4 milhões no terceiro trimestre, 24% abaixo do previsto pelo Itaú BBA e 25% inferior ao projetado pela XP.
Os papéis da incorporadora recuavam 16,5% por volta das 16h, na maior queda do índice imobiliário da B3 hoje.
O bottom line foi afetado principalmente pela margem bruta, que caiu 5,3 pontos percentuais no critério ajustado em relação ao trimestre imediatamente anterior – que havia sido o melhor da série histórica da Tenda – e ficou em 34,6%.
As margens mais contraídas são consequência do aperto da Caixa Econômica Federal no crédito imobiliário.
As regras mais restritivas do banco levaram a Tenda a reportar distratos maiores e a dar mais descontos nos apartamentos para reduzir a parcela de pró-soluto pós-chaves.
O preço médio dos imóveis caiu em R$ 11,5 mil por unidade ante o segundo tri, para R$ 271,2 mil. Desse total, R$ 8,3 mil veio da redução do pró-soluto, de 10% para 7,1% do preço.
O restante, ou R$ 3,2 mil, foi pressionado pela maior participação de projetos para a Faixa 1 nas vendas e por ajustes para a manutenção da VSO da empresa.
Além disso, os distratos – que cresceram 52% sobre o segundo tri – e o aumento de custo de construção também pesaram nas margens.
Para o Itaú, que já esperava a reação negativa do mercado, o resultado gera preocupações sobre uma possível revisão para baixo nos resultados projetados para 2027.
Mas o banco diz que, mesmo com um ajuste, a Tenda ainda negocia a múltiplos descontados.
“O cenário macroeconômico incerto justifica uma postura conservadora. Mas mantemos nossa recomendação de compra dado o valuation atrativo,” escreveram os analistas do BBA.
Já a Tenda diz que sua margem bruta ajustada não é comparável com a de pares listados por considerar fatores que não entram no cálculo da margem dos pares, como a Provisão para Devedores Duvidosos (PDD), ITBI e emolumentos.
Se a conta fosse a mesma, a companhia diz que a margem subiria para 39%.
“Não entendemos esse patamar como baixo diante do mercado,” o CFO Luiz Mauricio Garcia disse em call com analistas.
A Tenda disse ainda que parte dos fatores que impactaram a margem é pontual – como o custo de construção, que foi afetado por uma base reduzida – e espera uma retomada gradual nos próximos trimestres.
“Setembro e outubro foram meses fortes tanto em volume quanto em recomposição de preço, então entendemos que há uma recuperação,” disse o CEO Marcos Cruz.




