Airbnb vai financiar novos prédios (mas que não poderão entrar na plataforma)

Airbnb vai financiar novos prédios (mas que não poderão entrar na plataforma)
Thaís Soares |

Depois de anos acusado de encarecer e provocar escassez de imóveis para moradia nas grandes cidades, o Airbnb quer mostrar que também ajuda a aumentar a oferta.

Nos Estados Unidos, a empresa criou um fundo de US$ 250 milhões para financiar projetos residenciais que não poderão ter unidades anunciadas na própria plataforma de short stay, segundo o The Wall Street Journal.

A iniciativa será voltada principalmente a projetos de habitação acessível e de renda mista que enfrentam dificuldades para completar o financiamento.

O Airbnb é frequentemente alvo de discussões políticas em grandes cidades porque a disponibilização de apartamento para hospedagem diminui a oferta para moradia, gerando também um aumento de preços no estoque que sobrou no mercado.

O debate já levou destinos turísticos a apertarem as regras para esse tipo de hospedagem.

Nova York, por exemplo, passou a exigir o registro dos anfitriões e restringiu fortemente o aluguel de apartamentos inteiros por períodos inferiores a 30 dias.

Brian Chesky, CEO da companhia, contesta essa relação e argumenta que os imóveis disponíveis na plataforma representam uma parcela pequena do estoque habitacional e que as restrições adotadas por cidades não fizeram os preços das casas caírem.

“Porém, não posso continuar olhando para o problema habitacional por muito mais tempo sem que o Airbnb tente oferecer algumas soluções,” ele disse ao WSJ.

No novo fundo, a companhia quer cobrir a parcela de capital que falta para esses empreendimentos saírem do papel, aceitando retornos abaixo dos praticados pelo mercado.

Os aportes do Airbnb devem representar, em média, cerca de 10% do capital necessário em cada projeto.

A expectativa é que o investimento inicial de US$ 250 milhões mobilize US$ 5 bilhões em capital ao longo de dez anos.

O dinheiro recuperado nos investimentos também será reaplicado em novos empreendimentos.

O programa terá foco inicial nos Estados Unidos, mas a companhia não descarta expandi-lo para outros mercados onde atua.

O primeiro investimento será em Austin, no Texas, onde o fundo vai destinar US$ 6,4 milhões à construção de cerca de 200 moradias acessíveis em um terreno comprado pela prefeitura há mais de dez anos e que desde então permanece vazio.

Além do fundo, o Airbnb pretende colocar dinheiro em outras frentes ligadas à oferta de moradias, incluindo um prêmio de US$ 5 milhões para tecnologias capazes de reduzir custos ou acelerar a construção.

A iniciativa também vai apoiar mudanças em regras de zoneamento, licenciamento e códigos de construção e criar uma base de dados aberta para acompanhar políticas habitacionais.

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