Mansão de dono da Marabraz vai a leilão após calote

Mansão de dono da Marabraz vai a leilão após calote
Larissa Vitória |

O slogan que marcou os comerciais da Marabraz – “preço menor ninguém faz” – agora será aplicado à mansão do CEO Nasser Fares, um dos filhos do fundador da varejista.

Com a companhia imersa em dívidas, disputas familiares e um pedido de recuperação judicial (mais uma para a lista), a casa de 2,6 mil metros quadrados no Alphaville está indo a leilão com um lance mínimo que soa como uma pechincha se comparado ao valor de outros imóveis vendidos no bairro recentemente.

O imóvel será leiloado em outubro pela plataforma Bayit com um pedido inicial de R$ 72,8 milhões.

O que expõe o tamanho da oportunidade é o terreno. A mansão foi construída em uma área de 5 mil m² (três lotes unidos), mais que o dobro do que normalmente é visto no bairro, onde imóveis em terrenos de 2 mil m² são vendidos por valores não muito abaixo, entre R$ 50 milhões e R$ 60 milhões.

“Não é todo dia que surge um negócio assim,” Avraham Dichi, o fundador da Bayit, disse ao Metro Quadrado.

E o valor pode ficar ainda menor: está previsto um desconto de 30% caso o leilão vá para a segunda praça, reduzindo a pedida mínima para R$ 51 milhões.

A mansão chegou à Bayit na semana passada, poucos dias após a Marabraz entrar com um pedido de recuperação judicial com cerca de R$ 140 milhões em dívidas.

O leilão, no entanto, não é uma consequência direta da RJ, pois a mansão não faz parte do patrimônio da companhia, mas sim do calote dos aluguéis de uma loja da Marabraz em Pinheiros.

A loja funcionava no local desde 1994, com um contrato vinculado diretamente a Nasser Fares, mas os pagamentos mensais de R$ 55 mil foram interrompidos no ano passado, levando o proprietário do imóvel a cobrar os valores na Justiça.

Após tentativas de acordo, o locatário foi despejado no início do ano, e a mansão, que também estava em nome de Nasser Fares, foi penhorada para pagar a dívida, que hoje soma R$ 2,3 milhões.

Um dos despachos que autorizam e regulam os termos do leilão foi publicado em agosto, apenas três dias antes de a Marabraz oficializar o pedido de RJ.

Não bastasse tudo isso, a empresa ainda enfrenta uma disputa familiar que tem de um lado os irmãos Nasser e Jamer, e do outro os filhos dos dois e de outro irmão.

Os parentes disputam o controle de uma holding que concentra o patrimônio imobiliário dos Fares.

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