Tem mais gente atrasando o aluguel. Bom para quem vende seguro fiança

Tem mais gente atrasando o aluguel. Bom para quem vende seguro fiança
Rafael Balago |

O aumento do endividamento dos brasileiros já está se refletindo em um número maior de atrasos dos aluguéis, e o movimento impulsiona as contratações de seguro fiança.

Num cenário de maior risco, as imobiliárias estão pedindo mais a modalidade em detrimento do depósito ou do fiador. E os próprios inquilinos, menos capitalizados, se beneficiam de um valor mais baixo do seguro na comparação com o caução.

No primeiro semestre, os prêmios do seguro fiança somaram R$ 1,2 bilhão no Brasil, uma alta de 30,6% em relação à primeira metade do ano passado, segundo dados da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg).

Com o aumento dos calotes nos aluguéis, as indenizações pagas aos donos de imóveis (quando o inquilino fica devendo o aluguel) atingiram R$ 380,3 milhões, um aumento de 31,1% na comparação com o mesmo período do ano passado.

“O aluguel é uma coisa muito importante. Quando a pessoa deixa de pagar, ela já está atrasada em muitas outras coisas,” João Géo Neto, o CEO da Pottencial Seguradora, disse ao Metro Quadrado.

Para as seguradoras, no entanto, a piora nas dívidas não chega a ser alarmante, pois as indenizações representam menos da metade do total arrecadado. Desde 2024, essa proporção anda ligeiramente acima de 30%.

“Os níveis de sinistralidade estão controlados,” ele disse.

A Pottencial, que calcula ter 20% do mercado de seguro fiança no País, teve crescimento de 50% nas vendas do produto no primeiro semestre. A empresa espera fechar o ano com alta acima de dois dígitos e superar R$ 500 milhões em prêmios. 

A FenSeg estima que o mercado total deverá crescer 17% este ano no País. São Paulo concentra hoje cerca de metade dos clientes.

“Temos uma penetração muito boa em Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina, mas ainda baixíssima penetração no Norte e Nordeste, onde há espaço para crescer,” diz Neto.

O mercado de seguro fiança dobrou depois da pandemia. Entre 2021 e 2025, passou de R$ 1 bilhão para R$ 2 bilhões em prêmio anual. 

“Na crise da Covid, aumentou muito a inadimplência. Várias empresas quebraram e não conseguiram honrar os aluguéis, mas as seguradoras bancaram a situação,” Edvaldo Floresta, o presidente da comissão de Fiança Locatícia da FenSeg, disse ao Metro Quadrado

A estratégia para atrair mais clientes passa por fazer análises de perfil mais rápidas, com o envio de menos documentos. Com base no CPF do futuro inquilino, são feitas checagens em vários bureaus de crédito para checar dívidas, o perfil de pagador e o comprometimento de renda. 

Além disso, os dados do imóvel também contam. Clientes de cidades onde o mercado de trabalho está mais aquecido pagam menos no seguro porque a chance de arrumar outra ocupação em caso de desemprego é maior.

Neste modelo, com base no perfil de risco, cada locatário tem uma fatura diferente do seguro, independentemente do preço do imóvel. Como complementos, são oferecidos benefícios como manutenção residencial ou desconto em academias.

Para o locatário, no entanto, há a questão de que o dinheiro pago pelo seguro não é devolvido, como no modelo de depósito ou caução, ou com o uso de fiador, em que não há gasto (além de ficar devendo um favor).

Do lado dos proprietários, a principal vantagem é que a seguradora paga os aluguéis pendentes e assume a responsabilidade de cobrar o morador.

A Pottencial busca renegociar essas dívidas. Uma das opções oferecidas ao devedor é parcelar o aluguel atrasado no cartão de crédito, em até 10 vezes. 

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