Cyrela e Mitre vendem menos que o esperado – com um vilão em comum

As prévias de Cyrela e Mitre tiveram um vilão em comum no primeiro trimestre.
As companhias venderam menos que o esperado pelos analistas após serem impactadas pela desaceleração do mercado de médio/alto padrão.
Na Cyrela, por exemplo, as vendas somaram R$ 2,9 bilhões no primeiro trimestre, com queda de 3% na comparação com o mesmo período do ano passado e 15% abaixo do projetado pelo Itaú BBA.
Só no alto padrão – o segmento que vinha sendo o refúgio de parte do mercado – as vendas contratadas caíram de R$ 1,5 bilhão para R$ 1,3 bilhão.
O Itaú BBA diz que o número implica uma velocidade de vendas de 12% e um estoque de 19,5 meses.
“O mercado de renda média/alta em São Paulo está se tornando mais desafiador em meio ao aumento dos níveis de estoque, o que pode impactar negativamente os volumes de vendas da Cyrela e criar riscos de queda nas previsões de receita e lucro,” dizem os analistas.
A incorporadora também mudou recentemente seu processo de reconhecimento de receitas, o que deve levar a uma ressaca nos resultados do primeiro tri e impactar negativamente nas estimativas para o restante do ano.
Mas o BBA diz que a incorporadora ainda conseguiu manter um nível “decente” de vendas no trimestre graças à performance do segmento econômico, que registrou um avanço no volume comercializado.
Pelo Minha Casa Minha Vida, no qual a incorporadora opera por meio da marca Vivaz, a companhia vendeu R$ 1,2 bilhão no trimestre, acima dos R$ 876 milhões registrados no início de 2025.
Já nos lançamentos houve queda em todos os segmentos, com um recuo consolidado de 50% no VGV na comparação com o mesmo período do ano anterior e 31% abaixo do projetado pelo Itaú BBA.
O número menor também se deve principalmente à performance mais fraca no alto padrão. A Cyrela reduziu o número de projetos em todos os segmentos, mas a alta renda foi a mais afetada – o VGV caiu de R$ 3,2 bilhões para R$ 988 milhões na base anual.
Apesar dos tropeços no médio e alto padrão, o Itaú BBA diz que o crescimento da relevância dos produtos para baixa renda nos resultados consolidados da Cyrela e o valuation “razoável” ainda justificam a recomendação de compra para a ação.
Já no caso da Mitre, o Itaú BBA optou por manter uma posição neutra para o papel. Na visão dos analistas, a incorporadora teve um primeiro trimestre negativo, com vendas abaixo do previsto.
“O desempenho inferior foi impulsionado principalmente por vendas de estoque mais fracas, que ficaram 60% abaixo de nossas expectativas,” dizem os analistas.
A incorporadora vendeu R$ 365 milhões no trimestre, alta de 7% na base anual. Mas, descontados os R$ 36 milhões em distratos, o volume líquido foi de R$ 329 milhões, em linha com o mesmo período do ano passado e 20% abaixo do previsto pelo BBA.
“Os estoques, por outro lado, aumentaram 28%, reforçando a dinâmica de vendas mais desafiadora.”Considerando o cenário macroeconômico ainda desafiador, o banco acredita que os obstáculos que têm dificultado as vendas persistirão ao longo do ano e, para os analistas, isso justifica a recomendação neutra para as ações a despeito do valuation descontado.







