Eduardo Paziam está deixando o Centro de SP mais verde. Precisamos celebrá-lo

Eduardo Paziam está deixando o Centro de SP mais verde. Precisamos celebrá-lo
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Quem passa pela Avenida São Luís, na região central de São Paulo, talvez não saiba o nome dele, mas provavelmente já viu Eduardo Paziam mexendo em algum canteiro.

O jardineiro urbano — como ficou conhecido no bairro da República — passa boa parte dos dias carregando mudas pela calçada, reorganizando plantas, cuidando dos jardins da região e observando cada árvore crescer como quem acompanha uma obra em andamento.

05 26 Eduardo Paziam okAgora, Paziam acaba de assumir mais 30 canteiros da avenida pelo programa Adote uma Praça, da Prefeitura.

O número se soma a outros espaços que ele já vinha cuidando antes no bairro, como jardins de chuva na Praça da República, um pomar na Praça Dom José Gaspar e um bosque implantado sob o Viaduto Santa Ifigênia. 

Ele ainda se diverte com o tamanho que tomou o seu projeto – que ele batizou de Pazipê, uma mistura entre o seu apelido, “Pazi”, e o nome da planta que deu início a tudo, o ipê-amarelo.

No início, o plano era plantar a semente de um ipê-amarelo que cultivava havia anos na varanda do apartamento e assim acompanhar a árvore crescer da janela de casa. 

“Eu só queria plantar uma arvorezinha,” ele disse, rindo. 

Na época, Paziam estava recém-aposentado da sua carreira como designer de tecidos de luxo e tentava descobrir o que fazer depois de três décadas de uma vida entre feiras têxteis, aeroportos, fábricas na China e as fashion week de Paris e Nova York.

Nascido em Araçatuba, no interior paulista, ele estudou comércio exterior e artes plásticas antes de começar a circular pelo mercado internacional de moda. 

Com o crescimento das marcas de fast fashion, porém, Paziam começou a se cansar do ritmo da indústria, cada vez mais baseado em consumo desenfreado. 

“Quando vi aquelas fotos de pilhas de roupa na Indonésia, percebi que o que estava fazendo não era tão legal assim,” disse ele.

A pandemia acabou acelerando o desejo de Paziam de se aposentar aos 50 anos.

Com a produção praticamente travada durante o lockdown, resolveu vender sua participação na empresa onde trabalhava e sair do mundo da moda.

No tempo livre, passou a se dedicar ao ipê-amarelo que cultivava na varanda.

Como a florada do ipê levava pelo menos um ano para crescer, ele criou uma comemoração com os amigos para celebrar as sementes – que eram presenteadas e morriam pouco tempo depois. 

“Eu ficava um tempão cuidando da muda. Aí eu dava para a pessoa e ela falava que tinha morrido, como se fosse um vidro de Yakult que você compra no mercado.”

Num período que passou em Londres, entrou em um curso sobre jardins de chuva em Kew Gardens, jardim botânico que virou uma espécie de obsessão para ele.

E quando voltou para São Paulo, procurou a Subprefeitura da Sé para tentar implantar os primeiros jardins de chuva na Praça da República. A prefeitura topou a ideia — e Eduardo resolveu assumir sozinho a manutenção dos canteiros. 

Só que o jardim não reagiu como ele imaginava. 

“Cuidei do jardim por um ano e ele fracassou. Morreu quase tudo,” disse.

Frustrado, partiu em outra temporada fora do País, dessa vez na Ásia. Em Singapura, entrou nas estufas gigantes do Gardens by the Bay e se pegou admirado com a mistura de vegetação, arquitetura e infraestrutura urbana.

“Comecei a me perguntar como as pessoas conseguiram fazer isso aqui e eu não dava conta de fazer um jardinzinho na porta do meu prédio?,” disse.

Quando voltou, começou a estudar drenagem urbana, espécies nativas e formas de adaptar parte daquelas referências para a República. 

A partir dali, os jardins começaram a ganhar escala, com novas espécies, canteiros maiores e árvores nativas da Mata Atlântica.

Hoje, parte da manutenção dos jardins é financiada por comerciantes e empresas da região, enquanto moradores passaram a ajudar regando plantas, doando mudas e avisando quando algum canteiro é destruído. 

“Às vezes, acontece de destruírem as plantas. Mas se destruírem três vezes, eu planto quatro,” disse Paziam.

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