A Leo Madeiras trocou de comando após 14 anos e escolheu um prata da casa para CEO.
Nicolai Mariano está substituindo Andrea Seibel, a neta do fundador que ocupava o cargo desde 2012 e que vai dividir a presidência do conselho com Peter Estermann, ex-CEO do GPA.

Nico, como é chamado internamente, vai ser o terceiro executivo fora da família a tocar a maior varejista de madeira do País. Ele, que está na Leo há 12 anos, começou na empresa como um franqueado – e de maneira trágica.
Seu pai morreu num acidente de carro que também matou seus avós e duas tias quando ele tinha 16 anos.
De uma hora para outra, Nico e a mãe tiveram que assumir os negócios da família: uma varejista do setor de madeira, com duas lojas em Minas Gerais.
O negócio prosperou e logo chamou a atenção da Leo – e então Nico transformou suas lojas em franquias da companhia.
Em seguida, a sua gestão chamou a atenção de Andrea, que o convidou para entrar na empresa em 2015. De lá para cá, foi de gestor de categoria, diretor comercial até chegar ao cargo de COO em 2024.
Segundo Nico, as conversas para que ele assumisse como CEO começaram há seis anos. Desde então, ele foi se preparando para o cargo.

“Quando a Andrea assumiu, um dos principais objetivos do mandato dela era tornar a empresa possível para uma profissionalização, para alguém que não fosse da família assumir,” Nico disse ao Metro Quadrado.
Mesmo com as conversas sobre uma sucessão terem começado há anos, a escolha de Nico não era escrita em pedra: a alternativa de trazer alguém de mercado esteve sobre a mesa durante todo o processo.
Mas, para os Seibel e o conselho, o risco de colocar um executivo de fora num negócio tão particular parecia maior.
“Trazer alguém que já tivesse essa bagagem de CEO poderia facilitar por um lado, mas essa pessoa teria que se adaptar e conhecer o negócio – e isso poderia levar algum tempo,” disse Andrea.
A troca de comando acontece num momento em que a Leo tenta digerir um ciclo intenso de expansão.
Nos últimos 30 meses, a companhia abriu 25 lojas e comprou algumas franquias, num movimento que mais que dobrou o tamanho da rede própria.
A Leo continua operando com um modelo híbrido, que combina lojas próprias e franquias, mas aumentou de forma relevante o peso das unidades controladas diretamente pela companhia.
Agora, a palavra de ordem é maturação.
“Meu mandato é um mandato de continuidade,” disse Nico. “Eu já estava à frente das decisões e todas as operações da Leo já estavam comigo.”
A prioridade para 2026 e 2027 será capturar o potencial das lojas abertas e das franquias compradas. A companhia não deve abrir novas unidades este ano.
“A partir de 2028, aí sim a gente pensa em voltar a crescer, ocupar outros territórios ou expandir nos territórios onde já estamos,” disse.
A Leo fechou 2025 com R$ 3,7 bilhões de faturamento, um crescimento de 10%. Para este ano, a expectativa inicial era repetir o crescimento de dois dígitos, mas o cenário ficou mais complicado.
Nico diz que a companhia continua crescendo, mas abaixo do plano traçado no começo do ano. A receita deve ficar entre R$ 3,9 bilhões e algo próximo de R$ 4 bilhões – um crescimento abaixo de dois dígitos.
O problema, segundo Nico, é a combinação de juros altos, incerteza eleitoral e pressão de custos.
“Muito do que a gente vende está atrelado ao mercado imobiliário,” disse Nico. “Com taxa de juros a 15%, muito dificilmente alguém tira dinheiro do banco para reformar a casa.”
Mais recentemente, a companhia passou a acelerar a Leo Sob Medida, com cortes, furação e bordas, além de entrar na industrialização de móveis planejados.




