O incentivo que faltava para a Faixa 4 do MCMV decolar

Os últimos reajustes do Minha Casa Minha Vida (MCMV) podem ser o empurrão que faltava para a Faixa 4 deslanchar no mercado nacional.
No mês passado, o Conselho Curador do FGTS aprovou o aumento da renda familiar permitida, de R$ 12 mil para R$ 13 mil, e do teto dos imóveis, de R$ 500 mil para R$ 600 mil – o que, segundo incorporadores ouvidos pelo Metro Quadrado, deve abrir espaço para novos projetos e também destravar as vendas de parte do estoque já lançado.
As mudanças foram recebidas pelos players do mercado com mais entusiasmo do que a própria criação da Faixa 4 (atualmente a mais alta do programa), no ano passado.

Em agosto de 2025, dados da CBIC apontavam uma baixa adesão à modalidade, com vendas quase 50% abaixo do projetado pelo governo nos dois primeiros meses.
Uma das principais cidades a se beneficiar dos novos reajustes deve ser São Paulo. A capital paulista é hoje a maior produtora de unidades do MCMV do País, representando 60% do mercado, segundo dados do Secovi-SP.
Para o presidente do Secovi-SP, Jorge Cury, o novo cenário deve viabilizar projetos maiores com foco nas famílias.
“A classe média segue sufocada. Apesar de ainda ser limitado, os novos valores de imóvel e renda já ajudam uma boa parcela da população,” disse.
Cury também diz que a atualização permitirá negociar terrenos maiores e melhor localizados, destravando novos negócios.

Rodrigo Luna, o presidente do conselho da Plano&Plano, disse que os reajustes na Faixa 4 dão fôlego a um mercado hoje pressionado pelos juros altos, que afetam tanto incorporadores quanto compradores.
“Nós já temos um landbank adequado e vamos aproveitar para oferecer produtos dentro dessas faixas do MCMV. Estamos muito otimistas,” Luna disse.
Segundo ele, a nova Faixa 4 deve ajudar a companhia a atingir o crescimento projetado para 2026, com meta de expandir o VGV em R$ 1 bilhão.
“Sem dúvida nenhuma, estamos de olho nas oportunidades tanto para o estoque lançado quanto para o que ainda vai ser levado ao mercado.”
Com as mudanças no programa, até incorporadoras mais expostas ao alto padrão passaram a avaliar oportunidades no MCMV.

O CEO da Yuny Incorporadora, Marcelo Yunes, disse que a vertical econômica da companhia, a Apê 55, já analisa novos projetos.
Segundo ele, a atualização permite revisar margens e preços, hoje pressionados pelo aumento de custos das obras. A expectativa é lançar R$ 300 milhões em VGV neste ano pela vertical.
“Essa mudança possibilita que o mercado continue produzindo moradias em um segmento fundamental para a redução do déficit habitacional,” disse Yunes.
Embora São Paulo concentre o maior mercado, as oportunidades com a Faixa 4 vão além do Sudeste.

O Setai Group, incorporadora especializada em alto padrão em João Pessoa, vê espaço para comercializar cerca de 3 mil unidades na modalidade — entre lançadas e a serem lançadas.
Segundo o CEO André Penazzi, o público incluído na categoria era o mais pressionado pela inflação e pelo acesso ao crédito, tanto em bancos públicos quanto privados.
“Essa mudança torna possível o acesso aos imóveis para milhares de famílias na nossa região,” ele disse.
Ainda que o aumento das faixas do MCMV tenha sido recebido com entusiasmo pelo mercado, incorporadores esperam que o governo avance com outras medidas para fomentar os negócios do setor — especialmente as relacionadas ao controle da inflação e à ancoragem fiscal, que ajudariam a reduzir ainda mais os juros.

Leandro Melnick, o CEO da Melnick, disse que o sucesso de vendas na nova Faixa 4 também depende dessas ações de política econômica.
“Olhando por uma visão mais macro, eu pessoalmente tenho preocupação com a responsabilidade fiscal como um todo, que será fundamental para que esse aumento de Faixa 4 tenha perenidade e impulsione o nosso mercado,” disse.







