Dezenas de prédios de escritórios de Manhattan estão ganhando uma segunda vida como apartamentos.
Mais de 70 edifícios estão em processo de conversão para uso residencial, de acordo com o Departamento de Edificações de Nova York, reportou o The Wall Street Journal.
Além destes, outros quase 20 prédios já têm conversões planejadas, segundo um levantamento da Cushman & Wakefield.
As conversões têm ganhado espaço nas cidades americanas depois da pandemia, quando o trabalho remoto deixou mais escritórios vazios, enquanto a oferta de moradias continua apertada em lugares como Nova York.
Entre os projetos atuais está a antiga sede da Pfizer, em Midtown – uma das regiões mais corporativas de Manhattan –, onde dois prédios estão sendo transformados em cerca de 1,6 mil apartamentos no maior projeto desse tipo nos Estados Unidos.
A obra, porém, está parada. No mês passado, duas colunas estruturais cederam durante a construção, parte de um dos pavimentos afundou e prédios vizinhos precisaram ser evacuados.
O risco imediato passou, mas a prefeitura ainda investiga o que provocou o problema.
Manhattan já passou por outras levas de conversões. Entre 2004 e 2009, 58 prédios de escritórios começaram a virar residenciais, principalmente em Downtown.
Outros 46 seguiram pelo mesmo caminho entre 2010 e 2014.
A demanda por escritórios voltou a crescer nos anos seguintes e reduziu o ritmo das conversões. Entre 2015 e 2019, foram 24 edifícios.
Um dos maiores exemplos de conversão já concluída está no Financial District. O 25 Water Street, antigo prédio de escritórios que abrigou o JPMorgan e a redação do New York Daily News, foi transformado em 1.320 apartamentos.
O edifício ganhou dez novos andares durante a reforma e começou a receber moradores em 2025. Até a chegada do projeto da Pfizer, era a maior conversão de escritórios em residenciais dos Estados Unidos.
Mas transformar esses prédios em apartamentos exige adaptações que podem ser complicadas.
Muitas torres comerciais têm andares largos e profundos, deixando o miolo do edifício distante das janelas.
Isso obriga incorporadoras a redesenhar as estruturas para conseguir levar luz e ventilação às futuras unidades residenciais.
Há projetos que abrem vãos no centro dos prédios, retiram partes dos pavimentos ou destinam os espaços mais internos a áreas que não precisam de janelas.
A antiga sede da Pfizer não é a única obra que teve problemas. Quatro conversões em Manhattan receberam recentemente ordens de paralisação.
Duas já foram liberadas para continuar, no 77 Water Street e no 750 Third Avenue. A Pfizer e outro projeto permanecem com as obras suspensas.




