O crédito imobiliário chegou ao meio do ano mais aquecido do que a Abecip previa, com R$ 180,9 bilhões em concessões – uma alta de 23% em relação ao primeiro semestre de 2025.
O ritmo supera o que foi projetado para o ano inteiro – um avanço de 16% – e levou a associação a dizer que vai revisar os números para o segundo semestre, mostrando que o crédito segue resiliente apesar dos juros altos.
A expansão, no entanto, não reflete uma melhora na demanda por crédito na classe média, já que a Selic continua restringindo as famílias.
O resultado do primeiro semestre foi sustentado pelo avanço das operações de crédito com recursos com FGTS, principalmente no Minha Casa Minha Vida; e pela liberação do Banco Central de uma parte adicional dos recursos da poupança para o crédito imobiliário, um esforço para compensar o aumento dos resgates.
As concessões com recursos do FGTS somaram R$ 77,6 bilhões no primeiro semestre, alta de 22% em relação ao mesmo período de 2025. Foram mais de 350 mil imóveis financiados com recursos do fundo.
No SBPE, que usa recursos da poupança, as concessões cresceram 29% no primeiro semestre, somando R$ 93,7 bilhões, montante que inclui tanto o crédito para aquisição quanto para construção.
O aumento do uso de recursos da poupança se deve ao fim da obrigatoriedade de os bancos destinarem 20% da poupança ao compulsório do Banco Central.
O percentual obrigatório foi reduzido para 15% para cumprir um período de transição antes de cair totalmente – mas só essa diminuição de 5 pontos percentuais já é suficiente para turbinar as concessões.
Um dos destaques foi o desempenho do crédito à construção, que mais do que dobrou no primeiro semestre, ao avançar 107% e somar R$ 26,5 bi.
A Caixa, por exemplo, concedeu R$ 16,6 bilhões para construção pelo SBPE no primeiro semestre, quase 13 vezes o resultado do mesmo período de 2025.
No Bradesco, as concessões para construção pelo SBPE cresceram 150% no primeiro semestre, para R$ 6 bilhões.
O banco tem ampliado o Plano Empresário para impulsionar também novas concessões na ponta, em um momento em que as incorporadoras estão menos alavancadas, com landbanks mais organizados e mais seletivas nos lançamentos.
Já as linhas livres do mercado – que são usadas pelos bancos para operações que ficam fora das regras do SBPE e FGTS – foram na direção contrária e recuaram 8% no primeiro semestre, para R$ 9,6 bilhões.
Apesar de o crédito como um todo estar em alta, a Abecip tem demonstrado preocupações.
A principal delas é o teto de 12% para os juros do novo modelo de funding do crédito imobiliário, que passa a valer em 2027.
As taxas prefixadas usadas como referência para parte das captações de mercado já estão acima desse teto: a de dez anos chegou a 14,7% ao ano em julho, enquanto a de quatro anos ficou em 14,6%.
A associação já discute possíveis soluções com o governo.
“Esse é o principal tema de monitoramento no segundo semestre. Temos acompanhado mais de perto para garantir uma transição de funding da melhor forma possível,” disse Michel Cury, presidente da Abecip, durante a apresentação de dados do primeiro semestre.
O novo modelo vai contemplar as operações do Sistema Financeiro da Habitação (SFH), que envolve imóveis de até R$ 2,25 milhões.




