EXCLUSIVO. Brookfield compra a Tabas, reforçando seu negócio de multifamily

A Brookfield acaba de acertar a compra da Tabas, uma startup que atua na gestão de prédios destinados ao multifamily e que diz ter deixado para trás a maior parte dos processos judiciais que enfrentou nos últimos anos.
A aquisição representa a entrada da Brookfield na gestão dos prédios de multifamily no Brasil. Até então, a gigante canadense só atuava como dona dos ativos, e era inclusive o principal cliente da Tabas.
Quando começou a montar o seu portfólio, em 2021, a Brookfield já sabia que em algum momento teria que entrar na gestão e para isso enxergava dois caminhos: criar uma empresa própria ou comprar um player local.
Pesou para a segunda alternativa a experiência de já ter a Tabas gerindo parte do portfólio que foi comprado da incorporadora Planta em 2022.
“Montar uma operação de multifamily não é fácil, pois a parte tecnológica é muito relevante. A Tabas é uma empresa tech e vimos muito valor nisso, percebemos na performance dos ativos que eles tinham uma tecnologia diferenciada,” André Lucarelli, o vice-presidente sênior de investimentos em real estate da Brookfield, disse ao Metro Quadrado.
“Diferentemente de escritórios e de outras classes de ativo, no multifamily a operação é onde você realmente ganha dinheiro.”
A startup, que originalmente alugava apartamentos e os reformava e mobiliava para sublocar por um valor maior, virou alvo de processos após deixar de trabalhar com unidades avulsas em diversos prédios e focar em gerir edifícios inteiros de um único proprietário.
Na transição, os antigos senhorios acusaram a empresa de inadimplência, enquanto a Tabas queria abater nas locações o valor gasto com melhorias nas unidades.
“Quando fizemos a transição realmente teve uma fase complicada, mas agora já solucionamos mais de 90% dos casos,” Leonardo Morgatto, o CEO e cofundador da Tabas, disse ao Metro Quadrado.

Para ele, que vai continuar no comando do negócio, a venda do negócio para a Brookfield reforça que o foco agora é o mercado de multifamily.
Com a aquisição, a Tabas vai passar a gerir os outros imóveis da Brookfield que ainda não estavam sob sua responsabilidade, como os que eram geridos pela Luggo, da MRV.
Outro fator que facilitou a venda para a Brookfield foi o fato de o fundador ter recomprado a startup no ano passado.
Morgatto e o outro sócio-fundador, o italiano Simone Surdi, venderam a empresa para a americana Blueground em 2023.
Na época, Surdi optou por sair do negócio, enquanto Morgatto seguiu na empresa como CEO e depois recomprou a operação após a Blueground decidir focar nos Estados Unidos e em outros segmentos além do multifamily.
“Precisamos continuar investindo em tecnologia e como a Brookfield já era nosso maior parceiro foi um movimento natural fazer a venda para eles.”
A Tabas seguirá com uma atividade independente, podendo atuar com outros players e em outras frentes do mercado de locação para renda, incluindo os segmentos de student living e senior housing.
Hoje a startup gere 3,5 mil apartamentos e espera terminar o ano com até 5 mil unidades – a maior parte delas vindas da Brookfield, que projeta 4 mil unidades em operação até o final de 2026.
“Além disso, há players com um portfólio relevante que não tem tecnologia, então também podemos licenciar o software para que os operadores de multifamily no mundo inteiro possam gerir seus ativos.”







