BTG vira sócio da Tecnisa no Jardim das Perdizes – e quer a fatia da Hines

BTG vira sócio da Tecnisa no Jardim das Perdizes – e quer a fatia da Hines
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O BTG é o novo sócio do maior projeto da Tecnisa — e quer se tornar o controlador do empreendimento.

O banco acaba de acertar a compra de metade da fatia da incorporadora no Jardim das Perdizes. Agora, está negociando também a participação da americana Hines, fontes a par do assunto disseram ao Metro Quadrado.

A Tecnisa é dona de 52,5% da Windsor, a SPE responsável pelo projeto, e topou vender 26,09% para o BTG por R$ 260,9 milhões, avaliando o ativo em R$ 1 bilhão.

A incorporadora de Meyer Joseph Nigri estava buscando vender uma parte do projeto para diminuir seu endividamento e chegou a receber uma proposta da Cyrela no ano passado, mas a negociação não avançou.

O que sobrou da SPE está dividido entre 42,5% da Hines — uma gestora de ativos imobiliários que está no Brasil desde os anos 90 — e participações menores nas mãos da família Meyer Nigri.

O objetivo do BTG é comprar 100% da fatia da Hines e tornar-se o sócio majoritário por enxergar potencial para crescimento no empreendimento, segundo uma fonte próxima ao assunto.

Pelo valuation da SPE, a proposta para a Hines deve rondar o patamar de R$ 425 Milhões.

O Jardim das Perdizes é um bairro planejado na Zona Oeste de São Paulo com VGV superior a R$ 5 bilhões, mas ficou anos sem lançamentos por falta de CEPACs.

Os certificados necessários foram comprados pela Tecnisa em um leilão no final de 2023, e a incorporadora divulgou um guidance projetando R$ 5,3 bilhões em lançamentos entre 2024 e 2026.

No entanto, o desembolso de R$ 225,4 milhões pelos CEPACs pesou no caixa e, somado a uma alavancagem elevada, levou a incorporadora a buscar sócios para garantir fôlego financeiro à operação.

A proposta da Cyrela era de R$ 510 milhões pela maior parte dos terrenos do Jardim das Perdizes, mas o deal subiu no telhado durante o processo de diligência após a Tecnisa entender que alguns desdobramentos da negociação tornaram a oferta menos atrativa.

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“Com a Cyrela já seria muito bom, mas com o BTG é ainda melhor pois ele é um banco, o que traz mais credibilidade para a operação, e tem bastante dinheiro, apetite e um marketing agressivo,” Fernando Perez, o CEO da Tecnisa, disse ao Metro Quadrado.

O endividamento líquido da Tecnisa, que hoje está próximo de R$ 350 milhões, será reduzido drasticamente com os recursos da venda, abrindo espaço para a retomada dos lançamentos.

Segundo o CEO, os projetos remanescentes do empreendimento somam de R$ 3,5 bi a R$ 4 bilhões em VGV, e a expectativa é lançar pelo menos outros dois ainda neste ano.

A incorporadora também é dona, em conjunto com a Hines, de um terreno com vocação comercial e negocia comprar a parte da sócia no ativo para lançar uma torre comercial até o início de 2027.

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