TRXF11 compra da Brookfield lajes que serão ocupadas pelo Sírio-Libanês

A TRX pegou gosto pelos imóveis do setor de saúde.
Depois de entrar em negócios com o Hospital Albert Einstein, vencendo a resistência que os investidores tinham com o segmento, a gestora está agora comprando 49% de uma torre recém-construída que terá como inquilino o Sírio-Libanês.
O fundo imobiliário TRX Real Estate (TRXF11) vai pagar R$ 219,4 milhões à Brookfield por nove lajes, que nasceram para serem escritórios, quando ainda não tinha inquilino definido, e agora vão passar por uma reforma para serem convertidas em hospital.
O Sírio-Libanês já havia locado as lajes antes da venda, e esse foi um fator que atraiu a TRX, interessada em ter um inquilino que traz uma receita previsível.
“Dificilmente um hospital é desativado. Pelo contrário, estão sempre em expansão,” Gabriel Barbosa, sócio e gestor da TRX, disse ao Metro Quadrado.
“Então enxergamos uma solidez em relação ao ponto do imóvel que é um pouco parecida com a das grandes lojas de varejo, por exemplo.”
Segundo ele, os players costumam ser fiéis às localizações que adotam, porque o público fica acostumado com o local, tornando difícil replicar a operação em outros endereços.
“Isso traz previsibilidade de fluxo, o que é música para o ouvido do meu investidor.”
O contrato do TRXF11 com o Sírio-Libanês vai até 2054 e prevê uma multa de rescisão antecipada que pode chegar a R$ 180 milhões nos primeiros anos.
A compra do projeto é similar a outra anunciada no início do mês, em que o TRXF11 adquiriu escritórios para locar ao Hospital Israelista Albert Einstein.
O fundo investe ainda em um centro de diagnósticos e um hospital oncológico locados ao Einstein, que fazem parte de um complexo que está sendo construído na Marginal Pinheiros.
A nova aposta da TRX reforça um maior interesse do mercado imobiliário em saúde.
A Rio Bravo, por exemplo, já disse que está voltando a estudar ativos no segmento, enquanto a Idea!Zarvos anunciou um edifício exclusivo para consultórios nos Jardins, e outras incorporadoras têm investido em prédios para a terceira idade com equipamentos de saúde.
A TRX, no entanto, diz que a sua tese não se aplica a qualquer player de saúde.
Como os hospitais têm uma função social que pode dificultar embates judiciais entre locador e locatário, a gestora só quer trabalhar com inquilinos de alto padrão, não só pelo risco de crédito, mas também pela marca.
“Hospital para nós tem que ser Einstein, Sírio e talvez Rede D’Or,” disse o gestor.
Outro ponto importante para TRX é o perfil dos imóveis, que têm flexibilidade para voltarem a ser utilizados como corporativos caso o hospital encerre o contrato.
“É um prédio triple A localizado numa região que está intensificando a ocupação, que é a Chucri Zaidan, então entendemos que ele gera bastante valor para o fundo.”
As lajes fazem parte de um complexo batizado de O Parque, que está sendo desenvolvido pela incorporadora Gamaro e inclui também torres residenciais, restaurantes e lojas.
A reforma da torre que será ocupada pelo Sírio-Libanês deve custar algo entre R$ 109 milhões e R$ 129 milhões.
A expectativa é que as lajes sejam entregues em outubro e o hospital seja inaugurado no primeiro semestre do próximo ano.
Com a nova aquisição, o segmento hospitalar agora representa 12% do portfólio do TRXF11, que tem 115 imóveis e R$ 6,3 bilhões de patrimônio líquido.







