A estrela de reality que quer ser prefeito de Los Angeles

A estrela de reality que quer ser prefeito de Los Angeles
Pedro Borg |

O republicano Spencer Pratt avançou para o segundo turno da eleição à prefeitura da maior cidade da Califórnia após uma campanha fulminante que contou com arrecadação recorde e discursos sem papas na língua.

A carreira de Pratt deslanchou no anos 2000, quando ele participou do reality The Hills, da MTV. De lá pra cá, ele bateu ponto em outros programas do gênero, como o Big Brother Celebrity e Masked Singer

Aos 42 anos, Pratt agora tenta uma guinada na carreira motivada por um drama pessoal. 

Em janeiro do ano passado, ele perdeu sua casa nos incêndios que devastaram a comunidade de Pacific Palisades em Los Angeles. O episódio se tornou um dos eixos de sua campanha, com fortes críticas à prefeita Karen Bass – que busca a reeleição – por sua resposta ao desastre. 

Pratt também defende uma política mais rígida para combater a crise de opióides na cidade, como o tratamento obrigatório para dependentes químicos, e uma ação enfática contra os imigrantes ilegais na cidade em parceria com o ICE.

“Vamos recuperar a era de ouro de Los Angeles,” Pratt disse em uma peça de campanha, num slogan que lembra o Make America Great Again (MAGA).

A perda de sua casa nos incêndios gerou uma saia justa na imprensa. Depois de Pratt anunciar sua candidatura, o Los Angeles Times afirmou que ele se mudou da cidade – o que o impediria de concorrer à prefeitura. Sua resposta, via redes sociais, deu o tom da campanha.

“Eles querem tentar escrever uma matéria difamatória sobre mim por causa da minha residência?” disse Pratt. “Querem me atacar por não estar morando nos Palisades enquanto concorro à prefeitura. Ei, gênio, minha casa pegou fogo.”

Os desabafos de Pratt nas redes sociais não são incomuns. Eles são parte de uma estratégia de campanha que conta com a publicação de vídeos gerados por inteligência artificial – ridicularizando os adversários – e propagandas que lembram sketches de comédia. 

Mas não só de vídeos e cutucadas vive a campanha. Um dos momentos marcantes ocorreu quando Pratt, a Prefeita Bass e uma ex-vereadora de LA, a democrata Nithya Raman – que ficou em terceiro lugar na disputa – foram questionados se iriam encerrar um programa para garantir seringas limpas aos sem-teto da cidade.

Bass disse que não iria acabar com o programa, enquanto Raman foi na contramão, mas sem muita firmeza. Pratt foi enfático.

“Jamais vamos distribuir seringas e cachimbos para usuários de drogas nas ruas,” disse Pratt, num tom que parece ter agradado parte da população de LA.

O estilo de comunicação direto e sem rodeios foi um dos ativos de Pratt para crescer nas pesquisas em um reduto dos democratas, que controlam a cidade desde 2001. O entusiasmo em relação a sua candidatura pôde ser visto nas arrecadações.

Entre abril e maio, Pratt arrecadou US$ 2,7 milhões, quase dez vezes mais que Bass e sete vezes mais do que Raman. 

Pesam contra ele as acusações de falta de experiência. Bass, sua adversária no segundo turno, questionou se Pratt “já teve algum emprego na vida além de ser estrela de reality show.” 

Pratt respondeu: “Posso não ter experiência, mas tenho bom senso para dizer que isso não está funcionando.” 

O segundo turno da disputa ocorre em novembro.

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