Rio recalibra os incentivos do Reviver Centro

Rio recalibra os incentivos do Reviver Centro
Thaís Soares |

Um dos principais incentivos do Reviver Centro está perto de ser desidratado – pelo menos para as incorporadoras que atuam na Zona Sul.

O estímulo que premia com ganho de potencial construtivo nas áreas mais nobres da cidade as incorporadoras que investem na região central será reduzido assim que o prefeito Eduardo Cavaliere sancionar um novo projeto de lei já aprovado na Câmara.

O novo projeto foi criado para revitalizar uma das áreas mais tradicionais da região central, a Praça Onze – e por isso vai mexer também com as regras do Reviver Centro.

No Reviver, criado em 2021, incorporadores têm retrofitado e transformado prédios comerciais antigos do Centro em empreendimentos residenciais para receber créditos que podem ser usados para aumentar o tamanho de projetos na Zona Sul. 

Hoje, o benefício varia de acordo com o tipo de empreendimento.

Em projetos de retrofit convencional, o incorporador recebe o equivalente a 0,6 metro quadrado de potencial para cada m² requalificado. Já nos empreendimentos feitos em áreas prioritárias ou que incluem unidades de habitação de interesse social, a proporção sobe de um para um.

A revisão feita agora preserva o instrumento, mas muda a forma como recompensa os incorporadores. 

Pelas novas regras, os créditos gerados pelos retrofits passarão a render menos potencial construtivo em bairros como Ipanema, Copacabana e trechos da Lagoa e do Jardim Botânico. 

Já bairros como Flamengo, Catete, Glória e Botafogo mantêm os multiplicadores atuais, enquanto em regiões como a Praça Onze, Tijuca e em outros bairros da Zona Norte o multiplicador sobe. (Os números exatos não estão no projeto de lei.)

A revisão quer recalibrar um dos incentivos que mais beneficiaram incorporadoras na Zona Sul desde a criação do programa.

Depois de impulsionar uma série de projetos imobiliários e gerar retornos espetaculares para quem utilizou o potencial construtivo na região, o benefício passa a ser redistribuído para regiões onde a Prefeitura quer estimular uma nova rodada de desenvolvimento urbano, como a Praça Onze.

“Esses projetos precisam dialogar,” uma fonte da administração municipal disse ao Metro Quadrado.“E o benefício é muito grande. Então, ainda assim, não parece que há um esmorecimento no programa." 

Alguns incorporadores, porém, dizem que a mudança vai minar a viabilidade de uma série de projetos.

Para o CEO da Fator Realty, Vasco Rodrigues, reduzir os benefícios em regiões onde o mercado já põe o instrumento na conta cria insegurança para investidores e pode desestimular novos negócios. 

“É muito natural que se coloque o Reviver na Tijuca e outros bairros da Zona Norte. O que não faz sentido é querer retroagir avanços que foram ganhos com a lei existente,” disse ele. "Para muitos terrenos que estou vendo, já estou fazendo cálculos sem potencial, sem outorga, sem nada, porque já não está valendo a pena.”

A nova revisão se soma a uma lista de críticas que o mercado já vinha fazendo ao Reviver Centro. 

Incorporadores já reclamavam da falta de áreas para utilizar o potencial construtivo gerado pelos retrofits e do aumento gradual da outorga para usar esses créditos. 

Siga o Metro Quadrado no Instagram

Seguir