Na Faria Lima, o beach tennis já fez o ‘high’

Na Faria Lima, o beach tennis já fez o ‘high’
André Ítalo Rocha |

Jorginho – o personagem do humorista Fausto Carvalho que faz uma caricatura dos faria limers – diz até hoje em seus vídeos que o “beach venceu”, um bordão para brincar com o sucesso que o esporte fez no condado.

Mas a julgar pelo destino das arenas construídas no entorno da avenida, o jogo já virou – e o beach tennis, além de ter saído de moda, está perdendo seu espaço para projetos de novos prédios no centro financeiro de São Paulo.

As incorporadoras Yuny e Melnick, por exemplo, vão lançar em breve um empreendimento de alto padrão no terreno que até o início do ano era ocupado por uma das unidades da Arena BTG Pactual, na Rua Jesuíno Arruda, a poucas quadras da Faria Lima.

A arena foi inaugurada em 2022 com a promessa de ser um espaço de networking para a turma do mercado financeiro. Ao fechar as portas, se juntou à Arena XP, que ficava na própria Faria Lima e encerrou as atividades em 2024, também para receber outro projeto imobiliário, da Partage, ainda em desenvolvimento.

Uma outra arena que logo também será desativada é a Calçadão JK, que fica na Av. Juscelino Kubitschek, ao lado da sede do Banco Industrial do Brasil.

Tanto o terreno da arena quanto o do banco pertencem ao Grupo 4M, o mesmo proprietário do Salma Tower, um corporativo recém-inaugurado na Faria Lima, ao lado do Pátio Malzoni.

O banco vai se mudar no mês que vem para o Salma Tower e a atual sede será demolida. O terreno da sede vai se juntar ao da arena, e um novo prédio corporativo será construído no lugar, fontes do mercado disseram ao Metro Quadrado.

As arenas que se instalaram na região, no entanto, já sabiam que não ficariam ali por muito tempo.

Os terrenos só estavam disponíveis porque a pandemia e a adoção do home office impediram o início das obras de novos prédios na região, coincidindo com o momento em que o beach tennis virou moda, nos anos de 2021 e 2022.

Além disso, vários dos empreendedores do mercado imobiliário estavam aguardando o leilão de CEPACs da Operação Urbana Faria Lima para adicionar potencial construtivo aos seus projetos – o que só ocorreu no ano passado.

“Enquanto esperam aprovações para os seus projetos, os proprietários procuram dar algum uso aos terrenos, já que a lei de São Paulo impõe um IPTU compulsório para aqueles que não são utilizados,” Gabriela Gregori, a gerente de research da CBRE, disse ao Metro Quadrado.

O mais comum é que essas áreas ociosas sejam aproveitadas como estacionamentos, mas as arenas se tornaram uma grata surpresa às construtoras por conseguirem pagar aluguéis maiores, além de também serem espaços fáceis de serem desmontados.

O terreno da Jesuíno Arruda – que pertence à construtora Davilar e ficou parado por anos – só seria usado pela Arena BTG por 12 meses, mas o prazo acabou se estendendo para 48 meses, em razão da demora do leilão dos CEPACs.

Segundo levantamento feito pela Liquid, uma startup de inteligência de dados do mercado imobiliário, a abertura de empresas ligadas à prática esportiva (não necessariamente de beach tennis) atingiu o pico de 22 em 2022 no perímetro da Operação Urbana Faria Lima.

Depois, com o beach tennis perdendo apelo e os projetos imobiliários sendo retomados, as aberturas caíram para 15 em 2023 e nove em 2024. De 2025 para cá, nenhuma nova firma foi registrada.

Hoje, há apenas três quadras de beach tennis ativas no perímetro. Um ano atrás, eram seis, ainda segundo a Liquid.

“O uso esportivo não desapareceu, mas o pipeline de novas quadras secou,” disse Thiago Yaak, o CEO da Liquid.

Não significa, porém, que os empreendedores que apostaram no beach tennis tenham ficado sem mercado. Eles apenas se adaptaram.

Outras modalidades ganharam força para tomar o espaço do beach tennis nas arenas, como o tênis, o padel e o pickleball – e continua havendo demanda para as quadras em outras regiões da cidade.

O BTG, por exemplo, segue com sua marca vinculada a uma arena do Morumbi, que tem uma área maior e por isso aposta também em quadras de tênis, um esporte que retém os alunos por mais tempo, por ser mais difícil de aprender.

José Mário Mauad, o sócio-diretor da arena do Morumbi, que tem um acordo de naming rights com o BTG, diz que as incorporadoras agora o procuram para fazer contratos temporários, com arenas que vão ocupar os terrenos por quatro ou cinco anos até darem lugar a novos prédios.

E quando o lançamento do empreendimento está perto de ocorrer, as incorporadoras aproveitam a arena montada para fazer propaganda ao público frequentador.

“São pessoas qualificadas que geralmente já são da região, então as empresas acabam instalando ali um estande com maquete para ter acesso a elas,” Mauad disse ao Metro Quadrado.

No momento, ele já conta com duas quadras sendo instaladas com essa finalidade, e está conversando com outras cinco construtoras.

É improvável, no entanto, que novas arenas surjam no entorno da Faria Lima para ocupar terrenos de futuros projetos, já que a área praticamente não conta com mais espaços sobrando para novos empreendimentos.

“As oportunidades em geral são na Zona Sul e na Zona Leste,” disse Mauad.

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