Construção cai ao menor nível desde 2020. De novo, a culpa é da Selic

Construção cai ao menor nível desde 2020. De novo, a culpa é da Selic
Larissa Vitória |

Os juros altos por mais tempo que o esperado levaram a atividade construtiva brasileira ao menor patamar desde a pandemia, segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC)

O nível de atividade do setor, que é calculado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), começou o ano em crescimento, mas inverteu a tendência em junho e fechou o semestre em 46,4 pontos – abaixo dos 46,8 pontos vistos no mesmo período do ano passado.

Considerando os primeiros semestres dos últimos seis anos, o indicador só fica abaixo dos 39,1 pontos registrados em 2020, quando a pandemia chegou ao País.

“Essa queda da atividade coincide com a Selic elevada e impacta principalmente a produção de edifícios,” disse Eduardo Aroeira Almeida, o presidente da CBIC.

A taxa de juros foi apontada como o principal problema para os empresários da construção civil na sondagem feita pela CNI. A Selic aparece no top 3 do ranking de preocupações desde o início de 2022, quando chegou aos dois dígitos.

O setor também tem enfrentado a inflação gerada pela pressão da guerra sobre o custo dos materiais e a escassez de mão de obra.

O Custo da Construção Brasil, que é calculado pela CBIC, sobe 7,06% em 12 meses, bem acima do IPCA, que avançou 4,64% no mesmo período.

O índice de confiança dos empresários está em queda e encerrou o semestre em 47,2 pontos, no menor patamar médio em dez anos.

O presidente da CBIC afirma que esse indicador já está abaixo dos 50 pontos há alguns meses, o que indica um agravamento do cenário.

“Uma coisa é uma falta de confiança pontual, outra é uma falta persistente, que tende a se refletir nas decisões dos empresários em relação a investimentos, contratações e lançamentos de empreendimentos.”

Ainda assim, a CBIC manteve a previsão de que o PIB da construção deve crescer 1,2% neste ano – acima do crescimento de 0,5% registrado em 2025.

A expectativa é baseada principalmente nos lançamentos imobiliários feitos nos últimos dois anos e no avanço de obras de infraestrutura.

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