Nos EUA, a campanha para convencer as cidades a aceitarem data centers agora envolve pagamentos em cash.
Em Hazle Township, na Pensilvânia, a NorthPoint Development enviou cartas aos moradores locais com a oferta de US$ 10 mil para cada casa em troca de apoio à instalação de um projeto no local, reporta o Wall Street Journal.
A cidade tem 4.500 residências e a empresa gastaria US$ 45 milhões ao todo. Os moradores que aceitarem a oferta poderão gastar o dinheiro como quiserem.
Só 100 moradores se animaram com a ideia até agora. Um dos principais receios é que a vinda dos servidores desvalorize a cidade (e os imóveis).
“US$ 10 mil não compensam o quanto isso vai baixar o valor da minha casa,” um morador disse ao WSJ.
A lista de queixas inclui, ainda, aumento do barulho, das contas de energia e o temor de redução da oferta de água na região.
Em uma carta aos moradores, obtida pelo jornal Standard Speaker, a NorthPoint se compromete a não usar água potável para resfriar os equipamentos e diz que o barulho ouvido nos arredores será equivalente ao de uma dishwasher.
A oferta de dinheiro foi feita em junho, após a Prefeitura negar a autorização para a construção do data center e ainda impor uma moratória a esse tipo de projeto, por 180 dias. A empresa levou o caso à Justiça, e o processo está correndo.
A oposição a essas estruturas perto de casa tem crescido muito nos EUA. O número de cidades e estados que adotaram moratórias a novos projetos como esses já soma 294, segundo o Bitcoin Policy Institute. Em 2024, eram 6.
Os estados de Nova York e Texas anunciaram pausas na aprovação de novos centros de dados. Na Pensilvânia, o governador Josh Shapiro vetou NDAs entre governos locais e empresas, para evitar acordos secretos.
Assim, para tentar atrair apoio popular e reverter esta onda de bloqueios, as empresas de tecnologia estão aumentando suas ofertas.
Em muitos casos, são propostos incentivos milionários para ampliar escolas, delegacias e clubes comunitários, ou dar descontos nas contas de energia.
Em Hazle, a NorthPoint patrocinou o festival italiano da cidade e prometeu mais US$ 120 milhões em investimentos ao longo de 15 anos.
Apesar dos esforços, a resistência segue elevada no País. Uma pesquisa do Gallup, do começo do ano, apontou que mais americanos (71%) são contra ter centros de dados na vizinhança do que uma usina nuclear (51%).
Para romper esta resistência, o Bitcoin Policy Institute sugere mais pagamentos diretos aos moradores das cidades que abrigam os centros de dados, inclusive anuais, em uma espécie de royalties.
“Os condados avaliados para a instalação de data centers possuem algo que a economia da IA não consegue produzir em nenhum outro lugar: terras disponíveis e energia abundante,” disse Sam Lyman, o chefe de pesquisa do Bitcoin Policy Institute, em um artigo.
“Eles estão sentados em uma mina de ouro digital e merecem participar da crescente prosperidade. Os dividendos dos data centers tornam isso possível,” afirma.




