No Alto de Pinheiros, o projeto de uma arena incomoda muita gente

No Alto de Pinheiros, o projeto de uma arena incomoda muita gente
Rafael Balago |

O Alto de Pinheiros tem um longo histórico de batalhas entre incorporadoras e moradores que querem evitar a verticalização do bairro.

Agora, os dois grupos estão unidos contra a proposta da Prefeitura de São Paulo de construir em um terreno que pertence ao município uma arena poliesportiva que também receberá shows, batizada de Hub Pinheiros e inspirada no Madison Square Garden, de Nova York.

“Ninguém quer ser vizinho de uma arena que recebe  milhares de pessoas e vira um caos em dias de shows,” um incorporador que atua no bairro disse ao Metro Quadrado. “Não é um negócio que valoriza a região. Talvez seja neutro ou talvez prejudique se o projeto não for bem pensado.” 

O plano ainda está em fase muito inicial, mas já há moradores de prédios próximos ao terreno que andam pensando em se mudar, e um outro incorporador acredita que a arena poderá alterar o perfil do bairro.

“Esse tipo de projeto pode levar a uma alta de estúdios na região, como aconteceu perto do Allianz Parque, para atender os turistas que vão aos shows,” ele disse.

O terreno em questão tem 57 mil metros quadrados e fica entre a Rua Sumidouro, a Marginal Pinheiros e a Avenida Professor Frederico Hermann Júnior. Hoje, abriga sedes da Subprefeitura de Pinheiros e da CET. 

O plano é fazer uma PPP na qual um consórcio privado construa ali um complexo que traga um hub de inovação, uma arena esportiva e um edifício-garagem, além de uma passarela de ligação ao outro lado do Rio Pinheiros. Em contrapartida, a empresa vencedora poderá erguer outras estruturas comerciais no terreno. 

Em junho, foi aberto um Procedimento Preliminar de Manifestação de Interesse (PPIM) para o envio de sugestões de projetos para a área. Chegaram quatro.

Em sua proposta, a Live Nation sugeriu erguer um prédio corporativo de alto padrão e um shopping. Já a In Entretenimento defendeu a construção de um hotel e de um espaço de comércio, serviços e restaurantes. A Construcap e o Instituto Idea também enviaram estudos.

Um investidor avalia que o hub pode trazer mais vida urbana, serviços e movimento àquela área de Pinheiros, que ele vê como “um pouco parada”.

A proposta também agrada ao setor comercial, pela possibilidade de novos escritórios e lojas em uma região com baixa vacância. 

Do lado corporativo, o entorno do terreno em questão soma 27 edifícios e 266 mil m² de área, com vacância de 6,6%. O preço médio de locação de escritórios é de R$ 176,90 mensais por m², um dos mais altos da cidade, segundo a Newmark. 

Para Mariana Hanania, a head de pesquisa e inteligência de mercado da Newmark, essa microrregião não depende de nenhum novo projeto para seguir se valorizando, mas o hub tem potencial para dinamizar o comércio e os serviços do entorno e de reforçar a vocação de inovação de Pinheiros.

“O ponto relevante é como um equipamento desse porte convive com quem já mora e circula ali todos os dias,” ela disse ao Metro Quadrado.

A Prefeitura determinou no edital que a arena deve ter isolamento acústico total e até 20 mil assentos. 

Mesmo com o isolamento, os moradores temem o impacto no trânsito e o barulho nas ruas conforme a multidão entre e saia dos eventos ali. 

A Sociedade dos Amigos do Alto de Pinheiros (SAAP) fez um abaixo-assinado contra o hub, que já soma mais de 4 mil assinaturas. O documento pede a suspensão do plano e a realização de audiências públicas antes de novos movimentos da Prefeitura.

A SAAP entrou com uma representação no Ministério Público contra a iniciativa, com base na ausência de estudos de impacto e de consultas públicas. O MP instaurou inquérito e questionou a Prefeitura sobre o tema. A gestão municipal promete fazer audiências e consultas públicas após analisar as propostas recebidas. 

Nesta terça-feira, a Frente de Defesa de Pinheiros  realizará uma reunião aberta para apresentar questionamentos ao hub. 

A Prefeitura disse ao Metro Quadrado que a proposta “está em fase de avaliação das contribuições e estudos recebidos no âmbito do PPMI” e que “não há neste momento informações consolidadas do projeto a serem compartilhadas”. 

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