O CEP mais rico de Miami quer se livrar do seu vizinho mais feio, diz WSJ

O CEP mais rico de Miami quer se livrar do seu vizinho mais feio, diz WSJ
Miami downtown aerial view
Pedro Borg |

O CEP mais rico de Miami está vivendo um impasse.

Moradores de Fisher Island, o bairro com a maior renda per capita de Miami, lutam para despejar da área um depósito de combustível usado pelo Porto de Miami, num esforço para se livrar do seu vizinho menos glamouroso, disse o The Wall Street Journal.

O caso teve início no ano passado, quando o terreno do depósito foi comprado por US$ 180 milhões por uma joint venture de incorporadores e investidores que incluíam a HRP Group, a Related e a Raycliff Capital, com a intenção de construir duas novas torres de luxo com coberturas de mais de US$ 100 milhões – e assim acabar com o depósito até 2027.

Segundo o WSJ, os moradores da região gostaram do plano, por considerarem o depósito uma aberração visual e um risco ambiental, mas as operadoras de cruzeiros e políticos locais demonstraram preocupação com o impacto econômico, já que este é o único depósito de combustível do Porto de Miami, com movimentação estimada em US$ 61 bilhões por ano.

O depósito de combustível chegou a Fisher Island na década de 1920, quando o local era apenas uma faixa de terra com mangue em volta.

Foi só na década de 1980 que a ilha começou a ganhar os contornos atuais, como um refúgio para os mais ricos do agito de South Beach, já que só pode ser acessado de balsa ou barco particular. 

Fisher Island conta com 800 residências, com preço mediano de US$ 12 milhões, e apesar de ter ostentando por muito tempo o slogan de “CEP mais caro dos EUA”, é atualmente a segunda região mais cara do país, atrás da Newport Coast, no sul da Califórnia, segundo o site de real estate realtor.com.

O Condado de Miami-Dade chegou a estudar a possibilidade de criar outras maneiras de transportar o combustível, incluindo fazer um translado desde o porto de Fort Lauderdale – a cerca de 40 minutos de carro de South Beach – ou fazer o envio via trens. 

Mas todas as alternativas foram consideradas custosas demais ou de difícil aplicação.

A administração local tentou então comprar o terreno da joint venture, mas todas as pedidas foram “muito, muito caras,” segundo Jimmy Morales, chief operations officer do Condado, em declaração para a imprensa.

Agora, o governo estuda medidas mais drásticas. 

Em reunião extraordinária da comissão do Condado em setembro de 2025, a prefeita Daniella Levine Cava pediu autorização para que sua gestão pudesse adquirir o terreno por meio de negociação ou desapropriação.

Inicialmente a comissão deu aval para a negociação, mas a desapropriação só foi aprovada um dia depois da conclusão da venda do terreno para a joint venture.

Enquanto isso, a Fisher Island Community Association, que representa os proprietários de imóveis, e o Fisher Island Club, um clube de campo sediado na ilha, processaram o Condado em um tribunal federal em janeiro, buscando impedir a desapropriação. 

Eles argumentaram que a medida seria inconstitucional e que os tanques de armazenamento de combustível estavam deteriorados e representavam riscos ambientais.

Também alegam que têm poder de veto para uma possível compra por parte do Condado pois fecharam um acordo com a joint venture para receber parte da área em troca de apoiar a construção das novas torres e fornecer aos futuros proprietários títulos para se tornarem membros do clube local.

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