O terreno do Leblon que ninguém quer comprar

O terreno do Leblon que ninguém quer comprar
Thaís Soares |

Pode parecer estranho, mas nenhuma incorporadora está querendo comprar um dos poucos terrenos disponíveis do Leblon, o bairro mais nobre do Rio.

A Prefeitura já marcou nove datas para tentar leiloar a área (a nona foi ontem). Até agora, nenhuma oferta.

Não se trata de um terreno mal assombrado. O problema – como quase sempre – está no preço.

A área de 2,3 mil metros quadrados abriga a antiga sede da 3ª Gerência de Conservação do Rio, na Avenida Bartolomeu Mitre, vizinha do Jockey Club – e o lance mínimo é de R$ 27,3 milhões, ou R$ 11,5 mil/m² 

O valor já foi reduzido (antes eram R$ 29 milhões), mas o mercado avalia que segue distante do que faria sentido para o potencial construtivo da área, considerado baixo.

O estudo que embasa o leilão trabalha com um potencial construtivo de 8,3 mil m². Mas como o terreno tem gabarito limitado a dois pavimentos, a área edificável cai para cerca de 3,3 mil m². 

“A Prefeitura trabalha com preços irreais, que são o que eles usam para calcular o ITBI, que sempre são maiores dos que são fechados na compra,” o CEO de uma incorporadora disse ao Metro Quadrado.

Outra empresa habituada a fazer projetos no bairro disse que o terreno também perde apelo por não ser perto da orla.

A Prefeitura está vendendo o imóvel como parte da estratégia de alienação de ativos considerados ociosos.

Ao oferecer ao mercado, a Prefeitura contava com o interesse do mercado pela Zona Sul, onde bairros como o Leblon têm visto uma demanda aquecida por novos projetos, inclusive de estrangeiros. 

No entanto, os investidores têm estado mais cautelosos nas últimas semanas, em razão das ações movidas pelo Ministério Público que questionam a chamada lei do puxadinho, a legislação que permite ampliações de potencial construtivo mediante o pagamento de contrapartidas à prefeitura. 

“O mercado, em geral, não está seguro para novos investimentos. Estamos esperando," disse o CEO da incorporadora.

Segundo a Superintendência de Patrimônio do Município, o leilão foi adiado para “responder questionamentos sobre o certame.”

A Prefeitura vai marcar a décima data.

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