Quem quer comprar o Clube Marapendi – e por que o negócio não sai

Quem quer comprar o Clube Marapendi – e por que o negócio não sai
Thaís Soares |

Pelo menos cinco incorporadoras estão interessadas em comprar o Marapendi, um dos mais antigos clubes da Barra da Tijuca, fontes a par do assunto disseram ao Metro Quadrado

Duas delas estão tentando fazer a aquisição em conjunto: a TGB, de Rogério Chor, e a Cyrela. As outras três são a Tegra, a Patrimar e a Performance. 

Fundado em 1964, o Marapendi ocupa uma área de 170 mil metros quadrados na Avenida das Américas, um pedaço do bairro onde já não há mais terrenos daquele porte disponíveis para venda. 

A ideia das companhias é usar o espaço para erguer um condomínio clube – modelo comum na Barra.

As negociações estão acontecendo diretamente com as famílias Magaldi e a Veiga de Almeida, donas do clube, que ainda não decidiram se vão vender o imóvel inteiro ou fazer permuta por apartamentos.

O clube foi um dos primeiros terrenos ocupados na região, em um momento em que o bairro ainda era cercado por restingas e cortado por apenas duas vias de acesso.

Naquela mesma leva surgiram outros clubes por ali, como o Nevada Praia Clube, que fechou as portas e virou condomínio, e o Riviera Country Club, que também foi encerrado, mas ainda não tem um novo uso definido.

A disputa pelo Marapendi reflete um momento de retomada do interesse do mercado pela Barra. 

Depois de anos de lançamentos concentrados na Zona Sul, a escassez de espaços grandes na região fez as incorporadoras voltarem a olhar mais para o bairro da Zona Oeste, um dos últimos pedaços da cidade com terrenos dessa escala para produtos de alto padrão.

O Marapendi só virou uma alternativa ao mercado após uma mudança na legislação, quando a Câmara do Rio aprovou, em novembro do ano passado, uma emenda que autoriza o clube a usar o mesmo instrumento urbanístico da Operação Urbana Consorciada do Parque Olímpico para erguer prédios residenciais em sua área, desde que preserve 20% do terreno original para atividades do clube. 

Mas há dois obstáculos que estão travando as negociações: o preço e o potencial construtivo. 

Além das famílias e os interessados não estarem chegando em um acordo em relação ao valor, um condomínio no terreno só se viabiliza se estiver amarrado à compra de potencial construtivo para aumentar o tamanho do projeto.

Mas a necessidade de comprar potencial construtivo esbarra em Wilson Borges, da SOD Capital, conhecido pelo seu histórico de polêmicas no Rio.

Wilson é o empresário que assinou a intenção de compra de 100% do potencial construtivo que o Vasco da Gama acumulou pelo estádio de São Januário – que soma 280 mil m² – com o objetivo de revendê-lo no mercado.

Para ter um retorno maior, ele tem tentado há anos fechar um acordo com o Marapendi para fazer uma venda casada ao mercado.

Tentar adquirir o Marapendi isoladamente, portanto, pode representar comprar uma briga com Wilson – algo que os interessados não estão dispostos.

Na teoria, as incorporadoras poderiam buscar créditos de outras operações urbanas da cidade, como as do Autódromo e do Parque Olímpico, mas o fato de Wilson estar de olho no Marapendi criou a situação de que o Vasco seria o único fornecedor possível. Mas até agora, nenhuma oferta foi feita ao clube de futebol.

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