NOVA LIMA – No início, os belo-horizontinos foram para morar. Agora, estão ficando também para trabalhar.
A cidade vizinha a Belo Horizonte que há décadas atrai famílias de renda elevada para os seus condomínios de casas e prédios residenciais de alto padrão está começando a despontar como um novo eixo de escritórios da região metropolitana.
Não que as companhias estejam diminuindo o interesse por BH. Pelo contrário, a demanda por lajes segue aquecida, em especial por parte de empresas de fora de Minas Gerais que estão buscando um endereço para uma filial na cidade, como ocorreu com a pré-locação do Nubank no Belvedere.
O problema de BH é a falta de espaço. Além de ter uma vacância baixíssima (de apenas 3%, segundo a CBRE), a oferta de prédios de qualidade é pequena (só 6,4% do estoque é de ativos A+, também segundo a CBRE) e há uma escassez de terrenos para novos projetos.
Além disso, nas regiões de BH onde há potencial para novos escritórios, o segmento concorre com projetos residenciais que se mostram mais atrativos para as incorporadoras.
Comendo pelas beiradas, Nova Lima é quem está se beneficiando desse cenário, e a cidade ainda tem a seu favor o fato de já ser o endereço residencial de boa parte dos donos das empresas locais e dos funcionários mais qualificados, o que reduz o tempo de deslocamento da casa para o trabalho e ajuda a atrair talentos.
Uma âncora a cidade já tem. A Vale transferiu suas operações de BH para Nova Lima ao locar 13 mil metros quadrados no Concórdia Corporate, um dos primeiros de alto padrão da cidade e o maior do estado, entregue em 2018.
A absorção só não tem crescido em ritmo acelerado porque a oferta de alto padrão em Nova Lima ainda é baixa. A cidade ainda é dominada por prédios de saletas. Além do Concórdia, há apenas o Premier Business Center entre os prontos.
Mas, diferentemente de BH, Nova Lima tem terrenos de sobra, o que levou um player que nunca havia feito um projeto corporativo a fazer essa aposta na cidade.
A BTS Properties – a desenvolvedora fundada em BH por Viktor Nobre e André Rezende – está construindo o terceiro Triple A de Nova Lima no Vale do Sereno, um dos bairros de alto padrão da cidade e que tem atraído muitas famílias do Belvedere.
A firma é especializada em fazer projetos de built-to-suit para galpões logísticos e varejo urbano, mas viu em Nova Lima um ambiente propício para estrear no mercado de escritórios.

“É uma cidade já consolidada como moradia de alto padrão e que está passando por um processo acelerado de adensamento,” André Rezende disse ao Metro Quadrado.
Um estudo feito pela consultoria Brain mostrou que em um raio de 5 quilômetros no Vale do Sereno há uma população de 61,8 mil pessoas com uma renda média domiciliar de R$ 23,9 mil, o que torna o bairro um dos mais ricos do País.
Valendo-se da sua vocação para o varejo, a BTS decidiu fazer um edifício de uso misto, incluindo espaços para comércios e serviços que vão complementar as sete lajes corporativas de 1 mil m² cada. A área construída somará 37 mil metros quadrados, e a área bruta locável, 16,8 mil m².
O projeto – que tem assinatura do arquiteto Gustavo Penna – já está em obras e deve ficar pronto entre o final de 2027 e o início de 2028. O investimento é de R$ 250 milhões.

“É um prédio com vocação para a convivência, com uma complementaridade de serviços para que as pessoas possam resolver tudo num lugar só,” disse Viktor Nobre.
A empresa criou um fundo imobiliário para captar recursos para o projeto (já aproveitando o ganho tributário que essa estrutura tem com a reforma tributária) e que será administrado pela gestora da própria BTS.
“Conseguimos reunir um conjunto robusto de investidores e family offices que gostaram da proposta do ativo ser desenvolvido com uma governança uniforme,” disse Bruno Lavall, também sócio da BTS.
Ao ter também o chapéu de gestor do ativo, a BTS pretende fazer um controle do mix de inquilinos que evite que o perfil do empreendimento seja desvirtuado.
Entre os nomes de varejo já confirmados está uma concessionária da Porsche, que locou 3 mil m², e uma rede de academia de alto padrão, que terá outros 3 mil m².
A primeira empresa a ocupar o espaço corporativo será a própria BTS, que vai transferir sua sede de BH para uma das lajes do projeto em Nova Lima.
Para as demais lajes, a BTS ainda está em negociações, mas a preferência é que todo o espaço restante seja ocupado por uma só empresa.
Segundo a CBRE, o preço praticado em prédios de alto padrão no mercado que soma BH e Nova Lima tem variado entre R$ 130/m² e R$ 150/m².




