Ações judiciais elevam atrasos de lojistas na Multiplan; CFO vê efeito pontual

Na Multiplan, a inadimplência dos lojistas aumentou no primeiro trimestre, impulsionada por disputas judiciais com inquilinos sobre reajustes dos aluguéis.
A inadimplência líquida encerrou março em 2,4%, com alta de 161 bps ante o nível de 0,8% reportado no mesmo período de 2025.
A companhia diz que as discussões judiciais fazem parte da rotina de uma empresa com milhares de lojas para locação e contratos vencendo e sendo renovados quase diariamente.
“Estamos ativos em diversas discussões. De vez em quando, você discorda de algum contrato e, quando não consegue chegar a um acordo, deixa a Justiça tomar a decisão que considera correta,” o CFO Armando d’Almeida Neto disse ao Metro Quadrado.
O CFO afirma ainda que o tamanho do aumento da inadimplência foi impactado por uma base de comparação que é considerada “excepcional”.
No ano passado, a Multiplan registrou a menor inadimplência líquida anual de sua história, com -0,4%. A queda contribuiu para reduzir consideravelmente o nível de provisionamento, diminuindo também o volume de despesas com shoppings.
“Então o que estamos vendo hoje é um movimento pontual. Sobe, desce, sobe e desce, é assim mesmo,” disse o CFO.
Para a XP, a inadimplência maior ofuscou parcialmente as tendências operacionais sólidas reportadas no restante do balanço, como a alta de 5,1% das vendas nas mesmas lojas e de 6,6% na receita com aluguel.
O crescimento da inadimplência fez com que a companhia tivesse que aumentar também as provisões, quase dobrando as despesas com os shoppings no trimestre, para R$ 54,8 milhões.
O movimento também chamou a atenção do time de research do Santander, mas o banco diz que, em última instância, as ações que levaram à inadimplência maior foram decididas a favor da Multiplan.
Já o CFO da companhia diz que as melhorias que a companhia tem feito nos shoppings – a expansão dos ativos para impulsionar receitas é um dos focos neste ano – e o bom desempenho dos lojistas permitem que a Multiplan cobre aluguéis maiores.
O same store rent (SSR) teve um crescimento real de 3% no primeiro tri, mesmo com o IGP-DI, o índice inflacionário de referência do setor, em patamares negativos nos últimos 12 meses.
O lucro líquido da companhia também avançou 35,1% no trimestre, para R$ 316,1 milhões.
O EBITDA ajustado, por outro lado, recuou 3% na mesma base de comparação e ficou em R$ 380 milhões. A cifra está 6% abaixo da projeção do BTG Pactual, que diz que as despesas operacionais e com juros maiores pressionaram o resultado.
O banco planeja atualizar as estimativas para a Multiplan em breve, mas, por enquanto, manteve a recomendação de compra com base no portfólio premium de shoppings, que deve seguir resiliente mesmo no cenário de juros ainda elevados.







