Este CEO apostou tudo no senior living – e só ganhou menos que Elon Musk

Este CEO apostou tudo no senior living – e só ganhou menos que Elon Musk
André Ítalo Rocha |

O senior living – um segmento que só agora está entrando no radar das incorporadoras brasileiras – cresceu tanto ao longo dos últimos anos nos Estados Unidos que o CEO de um REIT que apostou na tese já tem um dos maiores pacotes de remuneração do país.

Shankh Mitra, que comanda o fundo Welltower, recebeu no ano passado um montante de US$ 821 milhões, perdendo apenas para Elon Musk (com impressionantes US$ 158 bilhões), segundo o levantamento anual que o The Wall Street Journal faz de pagamentos a executivos com base em dados da MyLogIQ.

O valor chegou a esse patamar porque o fundo quis recompensar o CEO por ter acertado na estratégia, que começou a executar na pandemia.

Em 2020, quando concorrentes recuavam diante do tombo na ocupação das residências para idosos, o CEO decidiu ir na direção contrária.

Ao longo dos seis anos seguintes, a Welltower investiu mais de US$ 40 bilhões na compra de dezenas de milhares de unidades habitacionais para a terceira idade.

As aquisições foram feitas em um momento em que havia um excesso de construções no segmento e milhares de idosos ocupantes morriam na pandemia, além de a mão de obra ter ficado mais cara.

A Welltower, que é dona de imóveis operados por players como Sunrise Senior Living e a Atria Senior Living para administrar as comunidades, apostou principalmente em operações voltadas para idosos de alta renda, que se mostravam mais lucrativos.

Hoje, o fundo é dono de mais de 2.500 comunidades – o maior portfólio do setor – e seu valor de mercado saltou quase sete vezes desde 2020, para cerca de US$ 160 bilhões, tornando a Welltower a maior companhia imobiliária de capital aberto do mundo.

A ocupação das residências para idosos nos EUA, que havia caído de 87,4% no fim de 2019 para uma mínima de 78,2% no primeiro trimestre de 2021, já soma 89,9% neste ano – um recorde de 1,05 milhão de unidades ocupadas, reportou o WSJ com dados da NIC MAP.

Mas nem todos aplaudem o tamanho do bônus.

A consultoria Shareholder Services recomendou que os acionistas rejeitassem o pacote, chamando os valores de extraordinários.

E o investidor ativista Jonathan Litt, que aposta contra as ações da companhia, disse que a remuneração premia a administração por ganhos vindos, em boa parte, do próprio envelhecimento da geração baby boom e da retomada pós-pandemia — não necessariamente da gestão de Mitra.

A Welltower, no entanto, argumenta que o pacote é necessário para reter, no longo prazo, o que chama de “liderança excepcional da empresa.”

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