Shoppings deveriam testar novas regiões, diz acionista do Iguatemi

Shoppings deveriam testar novas regiões, diz acionista do Iguatemi
Thaís Soares |

No mercado de shopping centers, tem sido comum ouvir de empresários uma certa cautela em relação a explorar novas cidades.

Mas Carlos Jereissati Filho, ex-CEO e hoje membro do conselho do Iguatemi, entende que o setor tem a “obrigação de ousar”, sem esperar para fazer investimentos em novas geografias.

“Por mais desafios que tenhamos, e sabemos que são muitos, eu acredito que temos essa obrigação de ousar, de testar, de não parar e de não se acostumar com aquilo que já está fácil de operar,” ele disse em um evento da Abrasce, a Associação Brasileira de Shopping Centers, depois de uma pergunta sobre o potencial do setor para entrar em capitais de menor porte e em cidades do interior.

Com a alta de juros e o custo de construção elevado, as grandes operadoras de shoppings têm adotado um discurso cauteloso em relação a novos projetos no geral. Os maiores players – inclusive o Iguatemi – têm priorizado ampliações de ativos existentes e aquisições de shoppings prontos. 

Nesse cenário, a Abrasce projeta que o ritmo de inaugurações no Brasil cairá de 11 novos shoppings por ano (média registrada nos últimos cinco anos) para algo entre quatro a seis na próxima década.

Mas a própria associação pondera que o interior ainda apresenta oportunidades, já que várias cidades com demanda de consumo ainda não têm um shopping, e de quebra contam com mais terrenos que as grandes capitais, já bem abastecidas de empreendimentos. 

A Argoplan, por exemplo, anunciou recentemente um shopping em Lagoa Santa, no interior de Minas, onde ainda não há nenhum empreendimento do segmento.  

No painel, Jereissati disse que “o Brasil é muito maior do que o eixo Rio-São Paulo, e que há um crescimento em diversas regiões do País.”

O executivo disse ainda que o setor não pode ficar esperando a chegada de marcas estrangeiras de varejo para destravar projetos, e que os operadores também precisam acompanhar o surgimento de empresas brasileiras que podem ganhar escala.

“Tem muita coisa nova nascendo no Brasil e temos que estar de olho para serem as próximas grandes marcas do amanhã, assim como também olhar as marcas que já são conhecidas e estão se duplicando, criando novas bandeiras,” disse Jereissati.

Siga o Metro Quadrado no Instagram

Seguir