Em São Paulo, quem quiser locar um prédio corporativo que está perto de ser entregue tem que correr.
Dos 11 edifícios concluídos no primeiro semestre, cerca de 60% já estavam pré-locados, segundo levantamento da CBRE.
Os prédios estão em lugares como Itaim Bibi, Paulista e Barra Funda, e somam quase 100 mil metros quadrados – um quarto do que será entregue este ano.
Essa demanda antecipada se deve à falta de disponibilidade de escritórios de alto padrão com grandes metragens na capital paulista, depois de anos que a pandemia impediu a entrega de novos projetos.
“O nível de pré-locação não surpreende porque as grandes empresas, como os bancos, têm voltado ao presencial por último e são as maiores ocupantes da cidade, então é difícil ainda ter empreendimentos existentes onde caibam,” Felipe Giuliano, o diretor de locação da CBRE Brasil, disse ao Metro Quadrado.
Com a volta do trabalho presencial, o mercado passa por uma recuperação desde o salto da vacância provocado pela pandemia, mas a retomada tem sido mais rápida nos edifícios de melhor qualidade.
“O mercado vive um momento de amadurecimento, então quem se movimenta antes amplia significativamente as possibilidades de negociação e de captura de valor.”
A vacância dos edifícios Triple A encerrou junho em 9,8%, o menor nível dos últimos cinco anos.
Considerando todo o mercado, a taxa ficou em 15,1%.
Já a absorção líquida semestral chegou a 186 metros quadrados, o segundo maior resultado dos últimos 10 anos.
Mais da metade da absorção bruta no semestre (55%) veio de edifícios Classe A e A+.
A Marginal Pinheiros teve 41% de absorção no período – o maior entre as regiões.
Empresas de tecnologia, de finanças e ecommerce lideraram a procura por novos espaços.
Segundo a CBRE, essa falta de disponibilidade tem aumentado o preço dos aluguéis pedidos em Pinheiros e nas avenidas Chucri Zaidan e Paulista.
Em Pinheiros, onde os preços estavam abaixo de R$ 200 por m², agora estão chegando a R$ 240 por m² – encurtando a distância para os valores da Faria Lima, que já passam de R$ 300.
Já na Chucri, os preços pularam de R$ 100 para 140 por metro quadrado, enquanto na Paulista subiu de R$ 140 para R$ 180 por m².
A consultoria espera que a absorção permaneça em níveis elevados nos próximos trimestres e que o volume de novas entregas continue controlado, mantendo a trajetória de queda da vacância.




