O mercado de escritórios de São Paulo poderá ter em breve uma das maiores locações do ano.
O PicPay quer se tornar o inquilino dos últimos 16 mil metros quadrados do edifício Arquipeo, conhecido como WPP Campus, na Vila Leopoldina.
O banco digital dos irmãos Batista está negociando o espaço com a proprietária do imóvel, a BGRE, a antiga Brookfield Properties, e já apresentou uma proposta, apurou o Metro Quadrado.
A empresa hoje se divide entre dois escritórios: um na própria Vila Leopoldina, em dois blocos do complexo da Altre, do grupo Votorantim, que somam uma ocupação de cerca de 9 mil m²; e o outro é um prédio no Brooklin que divide com o Banco Original, também dos Batista.
Se fechar o negócio, a locação vai empatar com uma das mais relevantes ocupações do ano até então, de 16 mil m² feita pela Uber, na JK Square – num momento em que o mercado tem negociado espaços cada vez maiores, seja pelo retorno ao modelo presencial, seja pela expansão das empresas.
Mas enquanto as companhias mais tradicionais buscam endereços como a Faria Lima ou a Paulista, a Vila Leopoldina tem se consolidado como um polo de tecnologia e do audiovisual, oferecendo aluguéis muito inferiores.
Companhias como Netflix, Meta e Google escolheram o bairro para abrir operações complementares às suas sedes principais em São Paulo, que servem como hubs de tecnologia ou para estúdios de audiovisual.
O Nubank, que também tem na Vila Leopoldina um dos seus escritórios, estudou instalar no bairro uma nova sede para unificar as operações, um desejo antigo de David Vélez – mas o projeto foi engavetado depois de o banco locar um novo edifício da Cyrela em Pinheiros.
Uma fonte a par das negociações com o PicPay disse ao Metro Quadrado que outras empresas também analisam o espaço no Arquipeo e devem disputar o ativo com o banco digital.
O prédio foi desenvolvido sob medida para a WPP, em um contrato built-to-suit, para reunir as 23 marcas da holding britânica de comunicação no Brasil, que ocupam a maior parte do espaço.
Quem já se mudou para o empreendimento foi o QuintoAndar, em um escritório de 7 mil m². A proptech fechou contrato por cerca de R$ 90 por metro quadrado, segundo fontes de mercado, abaixo da média de aproximadamente R$ 105 praticada no prédio.
Uma mudança do PicPay para o novo prédio adiaria o desejo da J&F de ter todas as suas empresas funcionando em uma mesma sede.
A holding planeja criar um campus corporativo para concentrar as operações na Marginal Tietê – mas que agora pode ficar sem o PicPay.
Um executivo do setor financeiro disse que, com a abertura de capital do PicPay na Nasdaq, exigências regulatórias aplicáveis a instituições financeiras poderiam impedir que o banco compartilhasse a mesma sede de empresas como a JBS, também listada.
Diante dessa restrição, o PicPay passou a buscar um endereço próprio na Vila Leopoldina.




