A escassez estrutural de mão de obra está aumentando a pressão para que a construção civil acelere sua industrialização – mas a mudança ainda esbarra na cultura do setor e dos próprios compradores.
Este foi um dos temas discutidos no Real Estate Summit, do Metro Quadrado, no painel sobre o custo de construir.
Fernanda Fontes, CEO da Fibra Experts, disse que a construção brasileira ainda é muito mais artesanal que a de outros países e que a principal barreira à industrialização não é necessariamente financeira.
“Eu acho que isso tem uma questão cultural por trás, muito mais forte do que racional e financeira,” disse a executiva.
No altíssimo padrão, a resistência é ainda maior.
Marcelo Moraes, CEO da RFM Incorporadora, disse que o cliente mais endinheirado ainda associa a construção artesanal à qualidade e que os projetos da RFM têm pouca repetição, dificultando ganhos de escala com métodos industrializados.
“A industrialização vai crescer, mas acho que ela acelera mais em segmentos mais econômicos,” disse Marcelo.
Mas algo precisa ser feito e rápido, segundo o executivo. Para ele, a escassez de mão de obra é algo estrutural – com mais jovens preferindo trabalhar com entregas ou aplicativos de transporte em vez dos canteiros.
No Paraguai, mercado que tem atraído muitos compradores brasileiros, o cenário ainda é positivo.
“A situação do Paraguai é um pouco diferente porque o país ainda vive um bônus demográfico. Cerca de 65% da população tem menos de 35 anos,” disse Nicolás Paredes, o CEO da Building Innovations.
Segundo ele, o país ainda se beneficia também do retorno de trabalhadores que haviam migrado para a Argentina – mas alguns mercados, como Ciudad del Este, já estão mais pressionados.
O Real Estate Summit teve o apoio da REdoor, Accor, Patria, Moura Dubeux, Lotus, Fibra Experts, Building Innovations, Central Capital, Syn Prop & Tech e Setai Grupo GP.




