Com o juro alto restringindo a demanda por imóveis residenciais, o comprador tem conseguido descontos maiores.
Segundo uma pesquisa feita pela FipeZap com quem comprou nos 12 meses até junho, o desconto médio obtido em relação ao valor anunciado subiu para 14%, empatando com os recordes de 2016 e 2020. Nos 12 meses anteriores, havia ficado em 11%.
E em 65% dos negócios fechados no período da nova pesquisa, o proprietário aceitou um valor abaixo do anunciado. No levantamento anterior, eram 63%.
O desconto maior, no entanto, não significa que há uma queda generalizada de preços, mas sim “uma maior margem de negociação pontual,” a economista Mariangela Silva, do Grupo OLX, disse ao Metro Quadrado.
Segundo um levantamento, 73% dos entrevistados consideram que os preços estão “altos ou muito altos”, mas essa percepção não reduziu a intenção de compra: 38% querem adquirir um imóvel nos próximos três meses, percentual em linha com a média histórica.
A demanda é puxada principalmente por quem procura onde morar. Entre os potenciais compradores, 88% buscam um imóvel para moradia própria ou de terceiros, enquanto apenas 12% pretendem investir.
Além disso, a participação dos investidores ficou em 40% das transações no acumulado de 12 meses até junho, abaixo da média histórica de 43%.
Entre as aquisições feitas como investimento, 74% tiveram como objetivo gerar renda com locação, e só 26% miravam uma revenda depois da valorização.
O maior interesse por locação reflete o bom momento dos aluguéis. A pesquisa mostrou que os valores subiram 9,28% em 12 meses até julho, acima dos 5,46% de valorização dos imóveis à venda no mesmo período.
“Com um cenário mais restrito para a aquisição do imóvel próprio, a locação se torna a opção mais acessível para uma parcela relevante da população,” disse Mariangela.




