Mercado pesa a mão contra incorporadoras do MCMV – mas pode ter exagerado

Mercado pesa a mão contra incorporadoras do MCMV – mas pode ter exagerado
Larissa Vitória |

As ações de incorporadoras que atuam na baixa renda estão sofrendo na bolsa. Para o BTG Pactual, o mercado está exagerando no pessimismo.

Cury, Direcional, MRV, Plano&Plano e Tenda recuam 18%, em média, nos últimos três meses, impactadas pelo cenário mais adverso para o funding do Minha Casa Minha Vida.

Entre os fatores que reduziram a confiança dos investidores estão os critérios mais rigorosos adotados pela Caixa para a concessão de financiamentos aos compradores, o que afetou as vendas de junho e levou a um segundo trimestre mais fraco que o previsto.

A revisão dos critérios afeta diretamente as incorporadoras, pois vincula a pontuação de crédito para aprovação de novos projetos à inadimplência das famílias.

Além disso, há ainda a greve dos funcionários da Caixa, iniciada este mês, que atrasa o repasse dos contratos de clientes para o banco.

O cenário mais fraco no segundo tri – e a expectativa de um terceiro tri aquém do esperado – levou o BTG a cortar em 10% as estimativas de lucro por ação (EPS) de Cury, Direcional e Tenda para 2027. 

Já para MRV e Plano&Plano o corte foi ainda maior, de 45%, porque as margens e a alavancagem vieram mais fracas que o previsto.

Ainda assim, o banco considera que as ações estão sendo muito penalizadas, especialmente em comparação com restante do mercado – o Ibovespa avança 8% no mesmo período.

“O baixo desempenho é excessivo, uma vez que as restrições da Caixa já estão se normalizando e o impacto no lucro por ação é praticamente irrelevante,” escreveram os analistas Gustavo Cambaúva e Gustavo Fabris.

Para o BTG, as incorporadoras de baixa renda ainda estão em um patamar muito atrativo, negociando a 3-5x P/E e com dividendos “suculentos” mesmo sob premissas conservadoras.

Com isso, o banco manteve a recomendação de compra para as cinco companhias sob sua cobertura e a Tenda como a top pick do setor.

A preferência pela Tenda se deve ao valuation atrativo, a projeção de crescimento do lucro acima da média e algumas opcionalidades que podem reforçar a tese, como a entrada da companhia na Faixa 4 do MCMV e o turnaround da Alea.

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