O custo para viver em Nova York, uma das cidades mais caras do mundo, está prestes a ficar ainda mais salgado para quem vive em um dos milhares de imóveis residenciais prestes a perder benefícios fiscais.
Mais de 4 mil edifícios nos cinco boroughs da cidade deixarão de ter direito a um abatimento no imposto predial até 2030, segundo o The Wall Street Journal.
O proprietário de um apartamento no Brooklyn ouvido pelo jornal diz que pagava um imposto anual de US$ 140 quando se mudou para o condomínio, em 2022. A taxa saltou para US$ 7,6 mil neste ano e deve atingir US$ 10,5 mil em 2027.
Cada programa de isenção fiscal geralmente dura entre 10 e 25 anos, e muitos deles começaram antes de 2016, quando os incorporadores ganharam benefícios para atender à demanda crescente da cidade.
Os descontos diminuem gradualmente com a aproximação do fim do prazo, até que o imóvel passe a pagar a alíquota integral.
É possível pedir adesão às versões mais recentes dos programas, mas a aprovação depende de uma série de requisitos, como renda dos moradores, preço acessível de mercado e reformas prediais.
O Departamento de Finanças de NYC estima que 4,1 mil prédios serão afetados até 2030, e a plataforma de dados de real estate Roebling Index estima que uma segunda leva de imóveis deve perder os benefícios entre 2031 e 2040, elevando para 6,3 mil o número total de prédios afetados.
Como a eliminação é gradual, a Roebling calcula que 26,7 mil unidades residenciais perderão o benefício fiscal até 2030 e outras 27,6 mil entre 2031 e 2040.
O impacto não será sentido apenas por quem tem um imóvel próprio: também afetará cerca de 2,6 mil prédios destinados à locação em um momento no qual a cidade vive uma crise habitacional.
O aluguel está tão caro que quem é mais jovem e tem menos recursos, como estudantes ou profissionais em início de carreira, está topando até morar com freiras em conventos para fazer a conta fechar.
“Quando um benefício fiscal expira, o custo adicional precisa ser absorvido, seja por meio de aluguéis mais altos, de uma renda menor para o proprietário ou, com o tempo, de uma desvalorização do imóvel,” Corey Cohen, o editor do Roebling Index, disse ao WSJ.

A promessa de amenizar a crise habitacional na cidade foi uma das principais bandeiras do atual prefeito, Zohran Mamdani, eleito no ano passado.
Mamdani prometeu congelar o aumento de aluguel em imóveis com preços regulados (e cumpriu), além de criar mais moradias acessíveis e taxar os pied-à-terre, imóveis utilizados como segunda residência que passam boa parte do ano vazios.
Mas essas medidas não ajudam os milhares de proprietários e locatários de imóveis afetados agora pelo fim dos benefícios fiscais.
“Quando compramos, falaram conosco sobre a redução de impostos. Mas disseram: ‘Quando o benefício for gradualmente eliminado, haverá um novo programa. Não se preocupe com isso’,” disse ao WSJ a proprietária de um co-op no Harlem comprado em 2004.
A previsão não se cumpriu, e a proprietária deve pagar cerca de US$ 10 mil em impostos anuais a partir de 2031.
Vender o imóvel é uma das opções para quem não consegue arcar com a nova carga tributária. Mas atrair boas propostas para esses apartamentos é desafiador.
Unidades em que o abatimento fiscal está prestes a terminar valorizaram 5,4 pontos percentuais a menos do que aquelas em regiões onde o benefício será mantido.




