Na Plano&Plano, a combinação de vendas mais fracas, margens mais baixas e um ritmo menor de lançamentos levou o Santander a cortar suas estimativas para a incorporadora.
O banco reduziu em 24% a projeção de lucro para 2026 e baixou o preço-alvo da ação de R$ 21 para R$ 18, embora tenha mantido a recomendação de compra.
O papel recuava 4% por volta das 16h30 – uma das maiores quedas entre as ações do setor imobiliário, que caem em bloco hoje. No ano, as perdas somam 37%.
“A recuperação do preço das ações depende de os investidores recuperarem a confiança nas perspectivas de margem da empresa e em sua capacidade de acelerar os lançamentos e vendas no competitivo mercado de São Paulo,” escreveram os analistas.
A revisão do Santander incorpora os resultados do primeiro trimestre, que vieram mais fracos que o esperado pelos analistas, além de uma expectativa mais cautelosa para vendas e lançamentos.
O banco agora espera que a Plano&Plano registre um lucro líquido de R$ 397 milhões neste ano, contra R$ 525 milhões na projeção anterior. A estimativa para 2027 também mudou, passando de R$ 651 milhões para R$ 516 milhões – uma queda de 21%.
Segundo os analistas, o corte reflete principalmente o novo pipeline de lançamentos, uma postura mais conservadora em relação ao desempenho de vendas da empresa e margens brutas mais baixas.
No operacional, o banco passou a projetar lançamentos de R$ 5,4 bilhões em 2026 e de R$ 6,1 bilhões em 2027, cortes de 11% e 9%, respectivamente.
Apesar disso, os analistas ainda esperam crescimento de 13,2% no indicador em 2027, graças a uma potencial expansão geográfica da incorporadora.
As estimativas para vendas também foram revisadas para baixo. O Santander agora projeta R$ 4,9 bilhões em vendas contratadas em 2026 e R$ 5,8 bilhões em 2027, reduções de 6% e 7%, respectivamente.
A mudança reflete “o desempenho fraco do primeiro trimestre, o redesenho da política comercial e uma postura mais conservadora em relação às vendas”.
A revisão da política comercial da incorporadora incluiu o fim dos descontos excessivos concedidos até o último tri do ano passado e a revisão de preços em projetos nos quais a rentabilidade era considerada insuficiente.
“Embora essas mudanças tenham pesado na VSO, esperamos que as vendas melhorem ao longo de 2026 graças à disciplina no volume de lançamentos e à maior exposição à Faixa 1 do MCMV,” escrevem os analistas.
O Santander diz ainda que, apesar das projeções menores, as ações da Plano&Plano ainda valem a pena, pois seguem sendo negociadas a um valuation atrativo e têm desconto relevante de cerca de 45% em relação aos concorrentes.
Para o banco, a companhia busca melhorar sua eficiência comercial e tende a recuperar a rentabilidade à medida que projetos mais antigos forem concluídos e novos empreendimentos ganhem mais peso no resultado.




