Para a mineira Patrimar, é hora de explorar a capital paulista

O Grupo Patrimar está retomando um antigo plano de negócios: explorar o mercado imobiliário em São Paulo.
A incorporadora de Belo Horizonte está desembarcando na capital paulista com a Novolar, vertical voltada ao segmento econômico, de olho nos avanços do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), que tem na capital paulista a sua maior penetração.
A primeira fase dos lançamentos tem um VGV estimado em R$ 1,1 bilhão, com projetos nas zonas Leste e Norte da cidade.
Além de três residenciais a serem lançados, a empresa já tem outros cinco terrenos em fase de aprovação, com lançamentos previstos ainda para 2026.

Para capitanear esse movimento, o fundador Alex Veiga deu início a um processo de sucessão na liderança da empresa, com o treinamento do atual diretor comercial e de marketing, Lucas Couto.
“Nós não temos uma data para que essa sucessão seja finalizada, mas queremos fazer da maneira mais profissionalizada possível,” Lucas disse.
Segundo o executivo, essa nova rota também ajudará a companhia a retomar o plano de um IPO. A ideia é estruturar as operações da Novolar e, mais adiante, buscar oportunidades no alto padrão com a marca principal, diz Lucas.
Em 2020, a companhia chegou a avançar com os procedimentos para se listar na Bolsa, com o objetivo de ter caixa para negociar terrenos nobres de São Paulo e levar os projetos da Patrimar à alta e altíssima renda.
Mas o plano perdeu força com a chegada da pandemia e a disparada dos juros.
“O nosso objetivo era dobrar o tamanho da empresa em quatro anos com o IPO, que não aconteceu, mas conseguimos atingir essa meta focando em grandes mercados como Rio e interior de São Paulo,” disse.

Fora da capital, o estado de São Paulo representa cerca de 40% do landbank da Novolar. “São Paulo é um mercado estratégico e terá um papel central no nosso crescimento nos próximos anos,” o fundador disse ao Metro Quadrado.
Antes de chegar à cidade de São Paulo, a Patrimar focou seus esforços em avançar nos mercados da região metropolitana de Belo Horizonte, no Rio e no interior paulista.
A mudança de rota – do alto padrão para o MCMV na cidade – pode ser explicada por três fatores principais.
O primeiro é o custo dos terrenos nobres para incorporação de alto padrão, cujos preços dispararam após a pandemia, diante da escassez de áreas na cidade. “É preciso ter muita liquidez para conseguir negociar bons terrenos à vista,” disse Veiga.
O segundo ponto é a vocação de São Paulo para o MCMV, hoje já consolidado como o maior mercado do País.
Dados do Secovi-SP apontam que os imóveis do MCMV representam 60% de todos os lançamentos da capital e 14% de todo o estoque nacional do programa.
Pela prévia do balanço financeiro da Patrimar para o primeiro trimestre, na comparação com o mesmo período de 2025, as vendas líquidas dos segmentos de média renda e econômico cresceram 8,5% e 20%, respectivamente, enquanto na alta renda caíram 41%.







