A startup que ajudou a empurrar o mercado imobiliário para a era digital agora está correndo para não perder a próxima onda tecnológica.
O QuintoAndar vai investir R$ 2 bilhões em inteligência artificial nos próximos dois anos, para ajudar os corretores a fechar mais contratos, acelerar as negociações e melhorar a experiência dos clientes.
A inteligência artificial já tem sido usada por corretores, mas o QuintoAndar entende que essa transformação está no começo e que no futuro as interações serão cada vez mais automatizadas, para buscas, transações, precificação e preenchimento de informações.
“Se não fizermos esse investimento, vamos ficar para trás,” disse Gabriel Braga, o cofundador e CEO do Quinto Andar, em um evento que inaugurou o novo escritório da empresa na Vila Leopoldina.
A companhia pretende direcionar os recursos principalmente para as equipes de desenvolvimento, com foco na criação de ferramentas de AI.
Segundo Braga, cerca de 80% do código produzido hoje pelo QuintoAndar já conta com participação de inteligência artificial.
“A produtividade dos engenheiros está entre três e cinco vezes maior, e a velocidade com que a gente consegue lançar novas features, melhorar produtos existentes e lançar novos produtos acelerou e vai acelerar ainda mais nos próximos anos,” disse ele.
Apesar da aposta bilionária em inteligência artificial, o QuintoAndar rejeita a ideia de que a tecnologia vai substituir os profissionais envolvidos nas transações imobiliárias.
A empresa vê a AI como uma ferramenta para ajudar os corretores a lidar com uma parte do trabalho que hoje consome tempo e exige acompanhamento constante de clientes, visitas e negociações.
A avaliação da companhia é que a tecnologia pode reduzir dúvidas e organizar informações, mas que a confiança nos profissionais continua sendo um componente importante do mercado.
Mesmo com mais dados disponíveis, compradores e vendedores ainda procuram alguém que conheça a região, entenda as particularidades da negociação e ajude a dar segurança na tomada de decisão.
“A AI vai aumentar a profissionalização dos corretores. E vai subir a média de todo mundo,” disse ele.
No mesmo evento, o CEO disse que a empresa deve abrir novos escritórios nas principais capitais do Sudeste e do Sul. Hoje, só está presente em São Paulo e Belo Horizonte, e o trabalho regional é feito por imobiliárias menores.
Além disso, Braga mencionou o interesse da companhia em fazer um IPO, ainda sem data ou “pressa”, mas que seria feito fora do País.
“Mas não é uma preocupação que nós temos agora,” disse ele.




