Tenda bate consenso e já vê espaço para superar o guidance

Tenda bate consenso e já vê espaço para superar o guidance
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A Tenda voltou a bater as projeções dos analistas e pode superar o topo de seu guidance de R$ 600 milhões em lucro para este ano.

A incorporadora registrou um bottom line de R$ 183,4 milhões no primeiro trimestre, mais que dobrando os R$ 85,5 milhões do mesmo período do ano passado e ficando acima também do consenso de mercado, de R$ 127 milhões.

A performance impulsiona a ação da companhia na Bolsa. O papel saltou mais de 15% mais cedo e avançava 10,7% por volta das 15h30.

Para a gestão, o desempenho mostra que a Tenda está bem posicionada para ir além da margem superior do guidance. Mas deve deixar a revisão para o segundo trimestre.

Rodrigo Osmo

“O upside risk é bem maior do que o downside risk, mas não temos como política revisar guidance no primeiro trimestre, porque ainda tem muita coisa para acontecer,” o CEO Rodrigo Osmo disse em call com analistas.

Já a receita líquida da companhia ficou em R$ 1,18 bilhão e veio abaixo do consenso, que era de R$ 1,21 bilhão. Ainda assim, a cifra representa um crescimento de 37% na base anual e um recorde histórico para a empresa.

A margem bruta também cresceu tanto na operação core quanto no consolidado, a despeito dos custos maiores com a construção. O indicador ajustado bateu os 35,5%, contra 33,6% no primeiro tri de 2024.

“A inflação implícita é de 8% e os nossos orçamentos já refletem tudo que temos de aumento de custo dos fornecedores e de dissídio para a equipe vertical,” disse Osmo.

O CEO afirma que esse percentual não engloba efeitos de segunda ordem da guerra entre Estados Unidos e Irã, incluindo riscos de descontinuidade na cadeia de fornecimento.

“Já contabilizamos tudo que está no nosso radar. Mas se essa guerra perdurar durante muito tempo é algo que nos deixaria preocupados.”

Para os analistas do Itaú BBA, o aumento do petróleo como reflexo do conflito pode acelerar a inflação da construção nos próximos meses e representar riscos às margens.

Ainda assim, enxergam a Tenda como melhor preparada para navegar esse cenário graças às melhorias nos controles internos e às provisões conservadoras no orçamento dos projetos.

“Acreditamos que o impacto no bottom line deve ser apenas moderado,” escreveram os analistas do BBA.

Outro fator que tem ajudado a companhia a combater a inflação maior é o ganho de preço nos empreendimentos, que subiu 3% no trimestre.

“Fomos rápidos na reação, pois a guerra começou a se traduzir em um sinal amarelo lá para março. Agora a prioridade é muito mais margem do que volume, mas continuando numa jornada de ganho de preço projeto a projeto.”

Já a Alea, a operação de casas pré-moldadas da Tenda, ainda pesou negativamente no resultado do trimestre, com prejuízo de R$ 32 milhões.

Por outro lado, a queima de caixa caiu para R$ 17,4 milhões, abaixo dos R$ 38,9 milhões negativos reportados no primeiro tri de 2024 e em linha com o projetado pela Tenda.

Segundo o CEO, o foco no primeiro semestre é estabilizar a operação para produzir quatro casas por dia. A expectativa é alcançar esse patamar em junho.

Depois, a próxima meta é reduzir a quantidade de mão de obra necessária para esse volume de produção. A Tenda diz que há um excesso significativo de funcionários.

“Hoje temos algo como 70% mais trabalhadores do que entendemos que seria o regime. Então, o desafio do segundo semestre é reduzir para o patamar necessário.”

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