Iguatemi dobra lucro – mas descarta novos shoppings em até dois anos

O Iguatemi dobrou o lucro e registrou vendas e aluguéis maiores no primeiro tri. Ainda assim, não vê espaço para desenvolver novos shoppings pelo menos nos próximos dois anos.
“Se continuar nessa tendência de ocupação alta e vendas crescentes, o próximo movimento é ter espaço para greenfields. Mas ainda não vemos isso em 2026 ou 2027. Podemos ver a partir de 2028,” o CFO Guido Oliveira disse ao Metro Quadrado.
Para a companhia da família Jereissati (e para a maioria dos players do setor), o momento é de expandir os shoppings já existentes.

A empresa definiu um capex de R$ 450 milhões e R$ 600 milhões para 2026 e tem tocado cinco obras no momento, incluindo as expansões do Iguatemi de São Paulo e de Brasília.
O objetivo é fortalecer ainda mais o portfólio, que registrou um lucro líquido ajustado de R$ 239,5 milhões no primeiro tri, um salto de 110% na comparação com o mesmo período do ano passado.
O resultado foi impulsionado principalmente pela venda de participações em quatro ativos para o fundo de shoppings da XP. O deal gerou um ganho de capital de R$ 143 milhões.
Se desconsiderados os efeitos da transação, o lucro seria de quase R$ 130 milhões. O resultado bate as projeções do mercado, de R$ 105 milhões, e indica que houve crescimento operacional mesmo com despesas maiores.
Já a receita líquida foi de R$ 361 milhões e ficou abaixo do consenso de R$ 403 milhões, mas ainda avançou 14,5% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
O crescimento foi puxado pelas vendas, que subiram 5,2% no critério same store sales – um desempenho um pouco acima da inflação do período, de 4,1%.
Os aluguéis também cresceram acima da inflação, com alta de 6% no same store rent contra um IGP-M de 2,1%.
Já o EBITDA da companhia atingiu R$ 402,7 milhões no tri, acima do consenso e com alta de 73% ante o primeiro trimestre de 2025.
O resultado também foi puxado pelo ganho de capital com a venda de shoppings, e o Iguatemi vai analisar possíveis novas reciclagens ao longo do ano – incluindo oportunidades de aumentar a participação em trophy assets.
“Vamos continuar olhando para isso, pois isso faz parte do nosso dever fiduciário e também da estratégia de longo prazo de centrar as participações nos ativos mais fortes do portfólio,” disse o CFO.







