Mercado se frustra com JV da Moura Dubeux; CEO faz mea culpa

A ação da Moura Dubeux abriu em forte queda depois de o mercado se frustrar com a informação de que a companhia tem “apenas” 35% do resultado da joint venture com a Direcional até aqui – uma reação que levou a um mea culpa do CEO Diego Villar.
O papel da Moura Dubeux chegou a mergulhar mais de 9% antes de se recuperar. A ação recua 3% pouco antes das 14h.
Analistas do sellside descobriram a composição acionária dos projetos após a Moura Dubeux publicar a prévia operacional do primeiro tri – a primeira com números da JV – e ficaram decepcionados com o tamanho da fatia, dado que a responsabilidade pelos projetos com a Direcional é dividida em 50%-50%.
A Moura e a Direcional criaram a JV no ano passado para tocar projetos do Minha Casa Minha Vida no Nordeste. Nos projetos lançados até agora, a Moura tem usado a Ún1ca, sua marca para o segmento econômico.
Mas só agora o mercado se deu conta de que a Moura não é dona de 100% da Ún1ca. O capital da subsidiária pertence 70% à Moura Dubeux e 30% a seus controladores, o que dilui a participação da incorporadora do Recife nos resultados.
“Apesar dos resultados positivos dos projetos da Ún1ca no primeiro tri, consideramos isso uma ‘surpresa’ negativa em termos financeiros e, principalmente, de governança corporativa,” os analistas do BTG escreveram aos clientes.
“A empresa vinha com resultados consistentes, mas pegou mal porque o mercado não sabia disso. Faltou disclosure,” um outro analista disse ao Metro Quadrado.

O CEO Diego Villar disse ao Metro Quadrado que a informação já estava disponível publicamente no formulário de referência da empresa, mas, em um mea culpa, admite que faltou “qualidade de informação”.
“De forma consistente e proativa, deveríamos estar falando o tempo todo dessa participação e ter dado mais claridade a essa informação além dos veículos legais,” ele disse. (Nota do editor: aparentemente, investidores não leem os formulários de referência.)
Villar disse que, quando a marca foi criada no ano passado, a gestão optou por não colocar o negócio 100% sob a Moura Dubeux para mitigar riscos de execução – obrigando os controladores a terem skin in the game. “Era um business diferente e queríamos demonstrar ainda mais comprometimento colocando dinheiro nosso dentro do negócio,” disse Villar.
Por outro lado, a decisão impede que a Moura se aproprie dos 50% da JV num dos segmentos mais rentáveis do Minha Casa Minha Vida, a Faixa 3.
Dos dois projetos lançados no primeiro tri, por exemplo, com um VGV total de R$ 206 milhões, a Moura contabilizou apenas R$ 72 milhões na prévia operacional publicada ontem.
Os outros 15% do VGV pertencem aos acionistas controladores, enquanto os 50% restantes ficam com a Direcional, que é a sócia da Moura Dubeux na JV.
Villar disse que por enquanto não há um plano estruturado para que a incorporadora assuma 100% da Ún1ca e fique com uma fatia maior dos empreendimentos, mas que essa decisão pode ser reavaliada.
Villar disse também que virá a São Paulo ainda esta semana para participar de um encontro com os principais investidores da companhia e players de mercado e discutir a questão.
“Não tenho problema nenhum em devolver o dinheiro que está colocado lá sem nenhum tipo de ganho de capital. Temos que ter humildade de escutar o que é que o acionista vê e pensa sobre isso.”
Apesar do tropeço com a Ún1ca, a prévia da Moura Dubeux foi bem avaliada pelo mercado.
A XP, por exemplo, destacou que as vendas totalizaram R$ 1,02 bilhão no tri, um salto de 86% na comparação com o primeiro tri do ano passado e 10% acima das estimativas da casa.
“A empresa também apresentou níveis de absorção resilientes. A VSO superou nossas expectativas, o que sustenta a visibilidade da receita futura e dos lucros nos próximos trimestres,” dizem os analistas.
Mas a XP considera elevada a queima de caixa do período (de R$ 120,1 milhões) e afirma que este deve ser um ponto de atenção para o mercado.
A Moura Dubeux vale R$ 3,15 bilhões na Bolsa. A ação sobe 106% nos últimos 12 meses.







