Leblon Realty lança seu terceiro FII: R$ 200 milhões para voltar à Zona Sul

Rafael Siqueira, o fundador da Leblon Realty, está voltando a procurar terrenos na Zona Sul do Rio.
O gestor passou os últimos anos mais dedicado à Barra da Tijuca, onde o espaço é abundante, mas agora quer retomar os investimentos nos bairros mais tradicionais da elite carioca, inclusive aquele que dá nome à gestora que criou em 2021.
Siqueira reconhece que há uma escassez de terrenos na Zona Sul, e por isso vai se deparar com um mercado onde as opções são comprar imóveis antigos, estacionamentos ou prédios subutilizados para conseguir viabilizar projetos pequenos mas rentáveis.
“É quase como achar uma agulha no palheiro,” ele disse ao Metro Quadrado, lembrando-se de um projeto maior, de 300 unidades, que conseguiu erguer em Botafogo depois de comprar um terreno da Eletrobras que tinha um estacionamento e um prédio abandonado.
Para tocar as novas empreitadas, a Leblon Realty quer levantar cerca de R$ 200 milhões para a criação de seu terceiro fundo imobiliário.
A última rodada na Zona Sul ocorreu em 2022, com o primeiro fundo da Leblon, de R$ 50 milhões, que aportou em empreendimentos residenciais em Ipanema e Botafogo, bairros que devem seguir no radar.
O fundo também deve seguir investindo em novos empreendimentos na Barra, de maior porte, similares aos grandes condomínios-clube que a companhia vem desenvolvendo ao lado da Cyrela, com centenas de unidades e áreas de lazer amplas.
A região voltou a acelerar com as mudanças feitas no Plano Diretor em 2024.
“A Barra sofreu muito porque tinha uma oferta muito grande, mas agora está melhorando,” disse ele.
No total, a gestora prevê até cinco projetos para o terceiro, dos quais dois podem ser de menor porte, no perfil da Zona Sul.
Antes de criar a Leblon Realty, Rafael passou quase 15 anos comandando a área imobiliária da Monteiro Aranha.
Foi ali que começou a desenvolver o modelo que depois levaria para a gestora, entrando nos projetos como sócio desde a compra do terreno e dividindo o risco dos empreendimentos com as incorporadoras.
“Muitos fundos fazem permuta, mezanino, dívida. O nosso negócio aqui é comprar o terreno junto com o parceiro, desenvolver o projeto, e assim definir tudo na largada,” ele disse.
Parte dos primeiros projetos da Leblon Realty surgiu desse período na Monteiro Aranha.
Um deles foi o terreno em frente ao Norte Shopping, no Cachambi, onde funcionava uma antiga fábrica da Klabin.
A área tinha cerca de 30 mil metros quadrados e fazia parte de uma sociedade entre Monteiro Aranha, Cyrela e BR Malls.
A ideia inicial era expandir o shopping para o terreno enquanto o residencial seria desenvolvido em cima do shopping.
“O projeto acabou mudando de rumo quando as empresas de shopping center começaram a reduzir os investimentos em expansões e greenfield,” disse Rafael.
A BR Malls deixou a operação e os sócios seguiram sozinhos no desenvolvimento do residencial.
No fim, o empreendimento virou o maior projeto do primeiro fundo, com cerca de 800 unidades.
O único empreendimento daquele primeiro fundo que ainda não foi desenvolvido foi um que será na Tijuca.
“Achamos melhor recuar e esperar um momento melhor da Tijuca para lançar um projeto novo lá,” disse Rafael.
Além dos residenciais, a Leblon Realty também está desenvolvendo um projeto logístico em um terreno de 130 mil m², e cerca de 50 mil m² de ABL, na Avenida Salvador Allende, Barra da Tijuca.
A companhia também administra um fundo monoativo de lajes corporativas que tem um pedaço do Edifício Argentina, em Botafogo, e a única cotista é a própria Monteiro Aranha.







