Moura Dubeux cede em crise com JV; CEO não quer ‘meia credibilidade’

Na Moura Dubeux, o mea culpa foi seguido por uma rápida mudança de rota.
A reação negativa do mercado à baixa participação da incorporadora nos projetos lançados até agora em uma JV com a Direcional levou a gestão a anunciar que passará a ser dona de 100% da Ún1ca, sua marca para o segmento econômico.
A Ún1ca é bandeira que a Moura Dubeux usou para tocar os lançamentos feitos em conjunto com a Direcional até agora. Mas a marca não era 100% da companhia – os acionistas controladores tinham uma participação de 30%.
Mais cedo, a informação de que essa composição acionária faria com que a incorporadora reconhecesse apenas 35% do resultado com os empreendimentos da JV provocou críticas à governança e uma queda na ação. O papel fechou o pregão com perdas de 5%.

A informação, apesar de pública e disponível no formulário de referência, pegou de surpresa o mercado, que esperava uma participação de 50% em linha com o anunciado quando as incorporadoras criaram a JV para tocar projetos do Minha Casa Minha Vida no Nordeste.
O CEO Diego Villar disse ao Metro Quadrado que a Moura Dubeux não tinha planos para assumir 100% da Ún1ca, pois a marca havia sido criada sob esse modelo acionário para mitigar riscos de execução na entrada em um novo segmento ao utilizar também o capital dos controladores.
“Achei que estava agindo no caminho correto de mostrar o comprometimento, mas o mercado tem uma leitura diferente.”
Mas reavaliou a decisão após conversar com acionistas e analistas. “Escutei de forma muito humilde o buy side, sell side e advogados e entendi que esse movimento trouxe ao mercado uma percepção de fragilidade nesse processo. E, para mim, não existe meia verdade, meia governança e meia credibilidade.”
Villar disse que ele e os controladores da companhia entregarão a participação à incorporadora e receberão de volta apenas o dinheiro originalmente aportado no negócio, sem qualquer ganho de capital.
A incorporadora bateu o martelo sobre a medida antes mesmo de uma reunião com acionistas e analistas marcada para a próxima quinta-feira, para “preservar os altos padrões de governança corporativa”, segundo comunicado divulgado há pouco.
O CEO espera que, com a decisão, o mercado agora se concentre nos aspectos positivos da prévia operacional, como a alta de 86% das vendas.
“Uma prévia robusta como essa não pode passar inócua. Tirando essa neblina da tela, o mercado quer olhar como a empresa vai se comportar após esse resultado e onde pode chegar.”







