Rio desapropria casarão onde viveu Carmen Miranda

O casarão onde Carmen Miranda viveu sua adolescência no Rio foi desapropriado pela Prefeitura.
O imóvel — na Travessa do Comércio, 13, no entorno do Arco do Teles, no Centro — foi tomado por meio de hasta pública, um instrumento usado para empreendimentos antigos em situação de abandono. O imóvel agora passa a integrar o conjunto de ativos que a cidade tenta destravar na região central.
O endereço está em uma das áreas mais antigas da cidade, marcada por um grande estoque de imóveis históricos que, ao longo das últimas décadas, perderam uso ou ficaram subutilizados.
Antes de se tornar uma das artistas brasileiras mais conhecidas no mundo, Carmen Miranda viveu ali com a família entre 1925 e 1931.
Nos séculos XVIII e XIX, era comum que sobrados da região combinassem loja no térreo e residência nos andares superiores, como a casa de Carmen, onde funcionava a pensão da mãe dela.
Comerciantes, trabalhadores e famílias viviam nos mesmos imóveis onde operavam negócios, mas esse padrão foi se desfazendo ao longo do século XX.
Com a expansão da cidade para outros bairros, a moradia foi saindo do Centro, que passou a concentrar escritórios e atividades administrativas.
A mudança reduziu a presença de moradores e deixou muitos imóveis sem uso fora do horário comercial.
Como outros imóveis do bairro, o casarão acabou ficando sem uso por diversos períodos, e já vinha sendo apontado há anos como um imóvel degradado, com sinais de deterioração na estrutura. O telhado da casa desabou em 2024.
O imóvel pertenceu por anos à Santa Casa de Misericórdia, uma das principais proprietárias de imóveis do Centro, e depois foi vendido para a imobiliária Arilucas, em 2011.
Nos últimos anos, o entorno do Arco do Teles voltou a ganhar movimento, puxado por bares e atividades noturnas, mas ainda convive com os imóveis sem uso.
A desapropriação da casa faz parte das iniciativas da Prefeitura do Rio para destravar imóveis no Centro – com o Reviver Centro permitindo a conversão de prédios comerciais em residenciais com oferta de incentivos fiscais, enquanto o Reviver ProAPAC tira imóveis históricos degradados do limbo e os coloca de volta no mercado.
Na mesma rua, também foi desapropriado o casarão de número 19, onde ficava a indústria alimentícia Belprato.







