Plano&Plano abandona descontos, vende menos – e ação cai

A Plano&Plano vendeu e lançou menos que o esperado pelos analistas no primeiro trimestre – e a performance considerada fraca está pesando sobre a ação da incorporadora.
O papel abriu o dia em forte queda e recuava 3,7% por volta das 14h – o pior desempenho entre as ações do índice imobiliário da B3 hoje.
As vendas líquidas da incorporadora focada no Minha Casa Minha Vida, que somaram R$ 842 milhões, vieram abaixo do primeiro trimestre do ano passado (-1,6%) e das estimativas de XP (-30%) e BTG (-16%).
Com isso, a velocidade de vendas ficou em 51,1% nos últimos doze meses, com queda de 1,2 ponto percentual.
Para a XP, o indicador foi afetado pela estratégia da companhia de eliminar descontos que oferecia até o trimestre passado e aumentar os preços. O ticket médio cresceu 13,8% no trimestre e alcançou R$ 268,4 milhões.
Mas os analistas dizem que, apesar de pressionar a VSO, o fim dos descontos deve sustentar margens brutas maiores no futuro.
O BTG Pactual indicou também que a incorporadora ainda deve reconhecer R$ 50 milhões em vendas de projetos do Pode Entrar, o programa habitacional de São Paulo, no segundo trimestre.
Além disso, grande parte das vendas do primeiro tri foi feita por meio de corretores terceirizados e também devem ser reconhecidas nos próximos meses.
Outro ponto de atenção da prévia veio da linha dos lançamentos. A companhia colocou apenas quatro projetos na rua no trimestre – um a menos que no mesmo período do ano passado.
Os empreendimentos somaram um VGV de R$ 989 milhões. A cifra implica uma queda de 16% na mesma base de comparação e ficou 25% e 5% abaixo do projetado por XP e BTG, respectivamente.
Mas a XP afirma ainda que o início de ano mais lento não altera a perspectiva dos analistas para o restante do ano e manteve a recomendação de compra para as ações, com preço-alvo de R$ 26.
A visão é compartilhada pelo BTG, que, apesar de ter destacado a Plano&Plano queimou R$ 80 milhões em caixa, contra uma estimativa de R$ 50 milhões, acredita que a geração de caixa deve se recuperar no segundo trimestre.
“Mantemos nossa recomendação de compra para a Plano&Plano dado o forte impulso da MCMV e, mais importante, o fato de as ações serem negociadas a um valuation atraente de 5x o P/E projetado para 2026,” disse o banco. O preço-alvo é de R$ 23 por ação.







