Governo deve aumentar limites de renda e preço do MCMV

Todas as faixas de renda do Minha Casa Minha Vida devem passar por um reajuste em breve, assim como o teto para valor dos imóveis das faixas mais altas do programa, apurou o Metro Quadrado.
O programa tem sido turbinado pelo Governo Lula desde o início do mandato, impulsionando os lançamentos das incorporadoras que atuam na baixa renda, e agora está prestes a receber um novo gás em pleno ano eleitoral, ao ampliar o número de famílias que podem ter acesso ao benefício, em especial na classe média.
O grupo de apoio do Conselho Curador do FGTS formalizou nesta semana uma proposta que muda o limite mensal de renda da Faixa 1, que hoje é de R$ 2.850, para R$ 3.200. Na Faixa 2 o aumento é de R$ 4.700 para R$ 5.000.
Na faixa 3, além de um reajuste na renda para até R$ 9.600 mil, o limite de preço dos imóveis também muda dos atuais R$ 350 mil para R$ 400 mil.
O mesmo ocorre na Faixa 4, que foi criada no ano passado para atender a classe média e engloba famílias com renda de até R$ 12 mil. O novo limite é de R$ 13 mil, enquanto o teto de preço dos imóveis sobe para R$ 600 mil, contra R$ 500 mil nas regras atuais.
“O aumento do teto da Faixa 3 é bom pra todo mundo, mas a Cury costuma capturar bem. Já as mudanças nas faixas intermediárias são particularmente boas para a Tenda, que opera mais nesse público de ticket menor,” o analista Bruno Mendonça, do Bradesco BBI, disse ao Metro Quadrado.
A proposta de mudança do MCMV ainda será discutida pelo Conselho Curador do FGTS ao longo do mês e votada em uma reunião marcada para a última quarta-feira de março.
Um dos principais pontos da discussão é o orçamento. O conselho aprovou em novembro a destinação de R$ R$ 144,5 bilhões para habitação – com a maior parte desse total, ou R$ 125 bilhões, reservados para a habitação popular.
O fundo social do Pré-Sal, que viabilizou a criação da Faixa 4 no ano passado com um aporte de R$ 15 bilhões, deve ser acionado novamente para complementar o orçamento do FGTS.
Apesar do orçamento extra, a Faixa 4 teve resultados abaixo do esperado pelo governo nos meses iniciais de operação porque a oferta de produtos para esse segmento estava baixa.
O cenário de juros elevados levou parte das incorporadoras a apostar também nos produtos econômicos, onde há subsídios para contrabalancear os juros, ou no alto padrão, que é menos dependente dos financiamentos imobiliários.
Mas a previsão de queda da Selic a partir deste mês deve começar a reequilibrar a oferta da Faixa 4.
“Por enquanto só surfou a onda quem já tinha unidades disponíveis na faixa de preço, mas os lançamentos ainda devem acelerar,” disse Mendonça.
As mudanças propostas para ampliar o atendimento à classe média devem reduzir a pressão sobre o SBPE, enquanto o reajuste das faixas anteriores beneficia quem já opera com produtos mais baratos.







