Em Brasília, senior living vence resistência e chega ao bairro mais rico do País

Em Brasília, senior living vence resistência e chega ao bairro mais rico do País
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O Lago Sul está prestes a ganhar uma alternativa às mansões da área – a mais nobre de Brasília – com a entrega no fim do ano de um projeto de senior living para pessoas com mais de 60 anos, um mercado que está engatinhando em grandes cidades.

Mas o empreendimento – batizado de Vila Raiô – primeiro teve que vencer a resistência de moradores do Lago Sul, questionamentos ao Ministério Público e mudar o modelo de vendas para seguir em frente.

O objetivo do projeto – que tem um VGV de R$ 340 milhões e conta com 60 unidades e serviços de saúde integrados – é fisgar principalmente quem já mora nas mansões do Lago Sul, de 1 mil a 2 mil metros quadrados, e busca imóveis menores e mais modernos para ter mais conveniência sem ter que sair do bairro – o mais rico do País.

“É aquela pessoa que mora lá há 20 ou 30 anos e decidiu vender o imóvel porque não aguentava mais fazer toda a gestão de manutenção da casa e é obrigada a sair do bairro porque não encontra alternativa,” Tarik Faraj, sócio do Grupo TRK, que desenvolve o projeto, disse ao Metro Quadrado.

Mas apesar do foco ser o próprio morador do Lago Sul, parte da população da região se posicionou contra o empreendimento e acionou o Ministério Público para tentar cassar o alvará da obra com base nas regras que regem o desenvolvimento urbano de Brasília.

O principal argumento dos moradores era que o terreno da TRK é institucional, portanto permitiria apenas a instalação de um residencial geriátrico, mas não a comercialização de apartamentos.

Na época, em 2023, o MP aceitou os argumentos e chegou a pedir a anulação do alvará de construção e a paralisação das obras.

Para evitar a perda do alvará, o grupo assinou um termo de ajustamento de conduta com o MP, se comprometendo a não vender as unidades.

“Íamos fazer todas as unidades para locação e chegamos a conversar com a JFL para viabilizar esse caminho,” disse Faraj.

Apesar de agradar comercialmente, a alternativa foi descartada depois, pois a taxa de juros elevada dificultou a viabilização financeira do negócio.

O grupo então voltou ao MP para costurar um novo memorial de incorporação que permitisse a comercialização do empreendimento.

Desta vez, o MP deu sinal verde para a venda a qualquer pessoa física ou jurídica, desde que a unidade tenha pelo menos um residente titular com 60 anos ou mais.

Com isso, a TRK iniciou oficialmente as obras em 2024. Os trabalhos já estão 70% concluídos e a entrega da Vila Raiô está prevista para dezembro.

O lançamento oficial será neste mês, mas cerca de 20% das unidades já foram vendidas para familiares e amigos – incluindo uma moradora do Lago Sul que fazia parte do grupo contrário ao empreendimento no início.

As unidades serão lançadas a cerca de R$ 36 mil por m², mas a TRK espera conseguir até R$ 50 mil nas últimas unidades.

Os valores superam a média de apartamentos comercializados no Plano Piloto, que vai de R$ 16 mil a R$ 26 mil.

“Mas esses apartamentos não oferecem nenhum serviço, só têm um porteiro que fica debaixo do bloco e as guaritas.”

A tese é que os serviços oferecidos na Vila Raiô, incluindo academia, piscina, spa e pilates, e o pilar de saúde do projeto, formado por enfermagem 24 horas, fisioterapeuta, nutricionista e um concierge de saúde para atender às demandas dos moradores, justifiquem o valor mais alto.

A gestão de saúde será feita por uma empresa chamada Amplexus, que pertence a um médico cardiologista e intensivista do Distrito Federal. 

Além disso, a TRK também aposta na escassez para valorizar o projeto. “São 60 unidades. Se olharmos só para o Lago Sul, mais de 12 mil pessoas estariam aptas a morar. Brasília tem mais de 120 mil pessoas acima de 60 anos,” disse Faraj.

Apostando no avanço do senior living no Brasil, TRK estuda replicar o produto, que é voltado para idosos que ainda têm autonomia e são ativos profissionalmente, em outras regiões e analisa oportunidades no Nordeste e em São Paulo.

Na capital paulista já há outras empresas atuando para desenvolver projetos desse modelo, como a Naara, de Joseph Nigri – o filho do fundador da Tecnisa –, e a Vitacon.

São companhias que acreditam que o envelhecimento da população brasileira e a diminuição do número de filhos nas famílias estão criando um mercado fértil para pessoas que querem morar num residencial de alto padrão adaptado para uma idade mais avançada sem ter que recorrer a um asilo – um segmento que já é maduro nos Estados Unidos.

“Ter outras empresas relevantes atuando e divulgando o produto facilita, soma energia e ajuda a consolidar esse novo mercado que está se abrindo e vai crescer não só em São Paulo ou Brasília, mas em todas as outras cidades do País.”

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