Dez anos depois de ir a leilão pela segunda vez e não encontrar compradores, o prédio da Universidade Cândido Mendes em Ipanema está de volta ao mercado.
O leilão acontecerá no dia 21 de julho, com lance mínimo de R$ 54 milhões.
Dessa vez, porém, o imóvel será vendido como uma Unidade Produtiva Isolada (UPI) dentro do processo de recuperação judicial da universidade, o que significa que o comprador levará o ativo livre das dívidas da instituição — um dos principais entraves que por anos afastaram potenciais interessados dos imóveis da Cândido Mendes.
O prédio de 4,9 mil m² fica na Rua Joana Angélica, nº 63, a uma quadra da praia, e é considerado um dos ativos mais valiosos da universidade.
Por ser um dos poucos terrenos de grande porte disponíveis na Zona Sul, e pelo zoneamento da região permitir todos os tipos de usos para o imóvel e também uso de potencial construtivo, a expectativa é que o leilão atraia tanto incorporadoras, hoteleiras e gestoras.
Ainda no ano passado, antes mesmo do leilão ser aberto, o prédio já havia recebido duas propostas acima de R$ 50 milhões, uma da WPX Empreendimentos e outra da marca de hotéis Astoria.
Em recuperação judicial desde 2020, a Cândido Mendes vem se desfazendo gradualmente de parte de seus imóveis para levantar recursos e pagar credores.
A instituição chegou a ter mais de R$ 1 bilhão em dívidas, mas após acordos tributários e renegociações com credores, a universidade reduziu esse montante para cerca de R$ 380 milhões.
Em 2023, a Cândido Mendes vendeu para o Sesc sua sede administrativa na Praça Pio X, de frente para a Igreja da Candelária, por R$ 25 milhões. Antes disso, já havia perdido o Convento do Carmo, na Praça XV, tomado em 2011 pelo Estado por dívidas, depois de mais de cem anos em posse da instituição.
O patrimônio que resta inclui o prédio da Rua da Assembléia, nº 10, no Centro – um dos maiores edifícios comerciais da cidade, com 49 pavimentos e 94 mil m².
Nos dois leilões anteriores do imóvel de Ipanema, ambos realizados em 2016, não houve nenhum lance. A origem da dívida que levou o prédio ao mercado naquele ano foi uma ação movida pela Microsoft.
O lance inicial era de R$ 128,9 milhões e caiu para R$ 64,5 milhões no segundo pregão.
No laudo mais recente, de 2020, o imóvel foi avaliado em R$ 102 milhões.
A universidade ainda funciona no prédio, então o arrematante só pode tomar posse no dia 31 de dezembro de 2026, prazo que garante à Cândido Mendes terminar o ano letivo.
A instituição disse ao Metro Quadrado que “com a concretização dessa etapa, a universidade dará um passo fundamental para sua reorganização financeira, para a normalização das suas obrigações e para a construção de um novo ciclo de estabilidade, crescimento e fortalecimento institucional”.




