Sem medo de juro alto, JiveMauá busca R$ 1,2 bi para comprar ativos da Barzel

Sem medo de juro alto, JiveMauá busca R$ 1,2 bi para comprar ativos da Barzel
Larissa Vitória |

Sem medo da turbulência que tomou conta do mercado após as eleições, a JiveMauá está lançando uma captação de R$ 1,2 bilhão para comprar edifícios corporativos feitos pela Barzel Properties, de Nessim Daniel Sarfati.

A oferta será feita por meio de um novo fundo imobiliário batizado de Mauá Capital Prime Properties, do qual a Barzel será consultora – a exemplo de outro FII corporativo lançado pelas duas casas no ano passado.

O FII vai comprar três imóveis da companhia. Um deles é o Pinheiros One, o antigo prédio da Odebrecht na Marginal Pinheiros que foi retrofitado pela Barzel e hoje está 61,6% ocupado.

O pacote inclui também dois edifícios nos arredores da Avenida Faria Lima: o Park View, ainda em construção e com entrega prevista para 2027, e o Quantum, que será inaugurado neste mês.

Os ativos no entorno da avenida são especialidade da gestora de Nessim Sarfati. O executivo foi braço direito de Elie Horn, da Cyrela, por quase 30 anos antes de fundar a própria gestora e é um dos responsáveis por incorporar alguns dos principais prédios da avenida, como o JK Financial Center, o Faria Lima Financial Center e o Faria Lima Square.

As três aquisições somam R$ 1,28 bilhão, com pagamento parcelado aos vendedores.

Surpreendeu o mercado a decisão de iniciar uma captação bilionária na conjuntura atual, com a disparada dos juros futuros, a interrupção do ciclo de queda da Selic e a sangria na renda variável – o IFIX recua cerca de 10% desde o segundo turno.

Mas um gestor defende que ativos reais considerados de qualidade tendem a ganhar espaço em momentos de extrema incerteza.

“Produto bom vende. Triple na Faria Lima é antifrágil e antigoverno,” ele disse ao Metro Quadrado, acrescentando que o aluguel de corporativos na avenida passou de R$ 150 para R$ 300 durante o atual mandato de Lula.

A JiveMauá disse no prospecto que a sua tese se baseia em um momento positivo do mercado de escritórios A+ de São Paulo, que inclui vacância mínima, aluguel em alta e pouca área nova.

Faltam especialmente prédios que ainda têm mais de 10 mil m² livres. Há apenas quatro ativos na região da Faria Lima que cumprem esse requisito – o que transforma os imóveis do fundo em ativos raros para o mercado.

O fundo da JiveMauá terá cinco anos de prazo, prorrogáveis por mais dois anos, mirando um dividend yield de 12,6% e um retorno total de 25% no primeiro ano.

Já o retorno médio projetado no prazo do FII é de IPCA+10% ao ano, considerando a venda dos ativos ao final dos cinco anos e a um cap rate de 8%.

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