Com Iguatemi de sócio, Four Seasons volta a São Paulo em 2030

Com Iguatemi de sócio, Four Seasons volta a São Paulo em 2030
André Ítalo Rocha |

O Four Seasons já tem data para voltar a São Paulo — e dessa vez, pertinho da Faria Lima.

Depois de desativar na pandemia a sua primeira tentativa de vingar na cidade, a bandeira internacional de hotéis de luxo deve retornar em 2030, segundo a projeção dos dois sócios da empreitada, a Catuaí, da família Khouri (também à frente do Four Seasons do Rio), e o Iguatemi, que pela primeira vez está investindo em hotelaria.

O empreendimento soma um investimento total de R$ 1 bilhão, valor que inclui o que foi desembolsado para a compra dos terrenos e o custo com as obras ao longo dos próximos quatro anos. O Iguatemi tem 44% do negócio, e a Catuaí, 56%.

O hotel será construído no Itaim Bibi, entre as ruas Amauri e Jerônimo da Veiga, em um terreno de 3,6 mil metros quadrados, a uma quadra da Faria Lima e também da Av. Nove de Julho, distante do seu primeiro endereço na cidade, na Marginal Pinheiros, onde hoje é o JW Marriott.

A área começou a ser formada há cerca de cinco anos pela Catuaí, num momento em que a família Khouri ainda não havia decidido o que queria construir ali. E foi só há um ano que o Iguatemi entrou na conversa para se tornar sócio do projeto, quando já se sabia que seria um hotel de luxo.

O grupo da família Jereissati entende que esse segmento está vivendo um outro cenário em todo o mundo, em especial no pós-pandemia, com os clientes mais dispostos a pagar diárias mais altas por experiências de luxo em hotelaria, da gastronomia à arquitetura, o que se reflete em ocupações elevadas.

“É uma classe de ativos que ficou mais atrativa para nós,” Pedro Jereissati, o chairman do Iguatemi, disse ao Metro Quadrado.

A entrada do Iguatemi no Four Seasons ocorre em um momento de diversificação dos negócios do grupo. No início do ano, por exemplo, a família Jereissati se expôs ao mercado residencial com o Casa Figueira em Campinas, um projeto de desenvolvimento imobiliário no entorno do Iguatemi da cidade que envolverá empreendimentos de moradia e comerciais.

Hoje, o grupo tem 22 propriedades, que incluem cinco torres comerciais ou de uso misto e 17 shoppings, como o Iguatemi da Faria Lima (o primeiro shopping da América Larina) e o Iguatemi JK. O hotel, aliás, ficará no meio do caminho entre os dois shoppings.

“É uma área de muita influência nossa e nós entendemos que o hotel vai valorizar bastante a região,” disse Pedro.

Embora São Paulo já tenha alguns hotéis de luxo como o Rosewood e o Palácio Tangará, o Iguatemi e a Catuaí entendem que a oferta ainda é pequena diante da demanda, e que há uma carência de empreendimentos desse nível no Itaim.

Houve conversas com outras bandeiras ao longo dos últimos anos para operar o projeto, mas o Four Seasons saiu na frente por ser percebido pelos sócios como uma marca “coringa”.

“O hotel pode atender tanto o público corporativo da região da Faria Lima quanto o público de lazer, porque o Four Seasons vem se posicionando dessa forma em novos hotéis mundo afora,” disse Bruno Khouri, o CEO da Catuaí Real Estate.

Os dois sócios afirmam que o dinheiro que será investido no hotel não depende de nenhuma captação e “já está reservado”, mas não descartam analisar oportunidades de mercado em termos de funding.

Embora haja hoje uma incerteza elevada no mercado financeiro sobre o cenário macroeconômico no quarto mandato de Lula, eles dizem que o investimento reflete uma visão de longo prazo para o Brasil.

“Sabemos navegar o Brasil e sabemos que temos que ser conversadores em relação ao endividamento, mas o Four Seasons era uma oportunidade que a gente não podia deixar passar,” disse Pedro.

“É um projeto de quatro anos e nós não vamos dar um passo maior que a perna,” disse Bruno.

O empreendimento será assinado pelo arquiteto britânico David Chipperfield, vencedor do Pritzker de 2023, e será dividido em dois blocos.

O primeiro bloco, com entrada pela Rua Amauri, terá 104 quartos e mais 35 apartamentos com serviços de hotel, que poderão ser comprados por investidores ou por quem deseja uma segunda residência em São Paulo.

Já o segundo bloco, com entrada pela Rua Jerônimo da Veiga, terá 10 residências de altíssimo padrão, a partir do 16º andar. Serão nove unidades de 750 metros quadrados e uma cobertura com 1,2 mil m².

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